Saneamento no Pará: A Proposta de Hana Ghassan e o Futuro da Qualidade de Vida Regional
A promessa de universalizar água e esgoto no estado levanta questões cruciais sobre fiscalização, investimento e o impacto direto na saúde e economia local.
Reprodução
A recente declaração da candidata Hana Ghassan (MDB) sobre a universalização dos serviços de água e esgoto no Pará, com ênfase na cobrança de metas rigorosas da concessionária, projeta um cenário de profunda transformação para a infraestrutura básica e a qualidade de vida da população. Longe de ser uma promessa isolada, essa pauta toca em uma ferida histórica e ressoa diretamente na saúde pública, na economia e na dignidade dos paraenses.
O acesso a saneamento básico adequado é um pilar fundamental para qualquer sociedade que almeje desenvolvimento equitativo. No Pará, um estado de dimensões continentais e desafios geográficos únicos, o déficit histórico nesse setor se traduz em índices preocupantes de doenças de veiculação hídrica, degradação ambiental e estagnação econômica em diversas comunidades. A ausência de uma rede eficiente de coleta e tratamento de esgoto, aliada à precariedade no abastecimento de água potável, impõe um fardo diário sobre milhões de cidadãos, impactando diretamente a taxa de mortalidade infantil e a produtividade laboral.
A proposta de Hana Ghassan não se limita à promessa de investimento, mas se aprofunda na gestão e fiscalização do contrato com a concessionária. Ao reforçar o papel da agência reguladora e se comprometer com o acompanhamento pessoal, a candidata sinaliza uma mudança de paradigma: de mero executor a agente ativo na garantia do serviço. Essa postura é crucial, pois a universalização, estipulada em marcos regulatórios, exige não apenas capital, mas governança transparente e metas claras. A continuidade de investimentos estaduais em macrodrenagem e canais, como os oito em andamento em Belém, complementa a ação, indicando uma estratégia multifacetada para abordar a complexidade do problema. A pavimentação de dois mil quilômetros de vias, embora pareça desconexa, é parte integrante da infraestrutura urbana que se beneficia e é afetada pela implementação do saneamento, facilitando o acesso e a manutenção.
Para o morador do Tapanã ou das áreas adjacentes como Benguí e Parque Verde, onde as demandas por saneamento são urgentes, essa proposta significa mais do que tubulações e estações de tratamento. Significa menos idas ao hospital, mais tempo para trabalho e estudo, valorização imobiliária e um ambiente mais limpo e saudável para criar os filhos. A fiscalização rigorosa da concessionária pode se traduzir em menor interrupção no abastecimento, água de melhor qualidade e uma resposta mais ágil a problemas. Em última instância, a universalização do saneamento é um investimento no capital humano e no potencial econômico do Pará, elevando o Índice de Desenvolvimento Humano e promovendo um ciclo virtuoso de progresso.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- O Brasil possui um déficit histórico em saneamento, e no Pará, essa lacuna é acentuada pela vastidão territorial e desafios logísticos, resultando em apenas 28,4% da população com acesso à rede de esgoto e 80,7% à água potável em 2021, segundo dados do SNIS.
- O Novo Marco Legal do Saneamento Básico (Lei nº 14.026/2020) estabelece a meta de universalização dos serviços de água e esgoto em 99% e 90% respectivamente até 2033, exigindo investimentos bilionários e um ritmo acelerado de obras.
- Bairros como Tapanã, Benguí e Parque Verde, em Belém, são emblemáticos da carência infraestrutural na capital paraense, onde comunidades inteiras ainda dependem de soluções precárias, impactando diretamente a saúde pública e o bem-estar local.
Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar.
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores.