IATA no Rio: Entre o Potencial de Crescimento e a Ameaça Fiscal à Aviação no Brasil
O retorno da cúpula global da aviação ao Brasil, após quase três décadas, ilumina os dilemas cruciais do setor: a recuperação pós-pandemia, a imposição de uma carga tributária recorde e o complexo caminho para a sustentabilidade.
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A Cidade Maravilhosa se tornou o epicentro da aviação civil global com a chegada da 78ª Reunião Geral Anual da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), um evento que não acontecia em solo brasileiro há 27 anos. Reunindo cerca de 1.500 líderes, o encontro é um termômetro vital para o futuro da indústria. No entanto, o brilho do retorno é ofuscado por discussões sobre desafios estruturais que podem frear o ímpeto de recuperação e crescimento do setor, especialmente no contexto brasileiro. A IATA coloca em pauta o ambiente regulatório, a carga tributária e a difícil transição para combustíveis sustentáveis como os principais entraves para um horizonte mais promissor.
Por que isso importa?
Para o viajante, o empresário e o investidor, as deliberações da IATA no Rio transcendem o universo corporativo, configurando-se como um divisor de águas. O aumento da carga tributária sobre passagens aéreas, impulsionado por um IVA de 26,5% – um dos mais altos do mundo para o setor – não é uma abstração fiscal; ele se traduz diretamente em bilhetes mais caros. A estimativa de uma queda de 30% na demanda não significa apenas menos pessoas voando, mas potencialmente menos voos, menos rotas e uma menor concorrência, elevando ainda mais os custos e limitando as opções de deslocamento para o cidadão comum, impactando desde férias familiares até viagens de negócios essenciais. O "porquê" é a pressão sobre o poder de compra e a acessibilidade; o "como" é sentido no bolso e na disponibilidade de destinos.
Paralelamente, a questão do Combustível de Aviação Sustentável (SAF) apresenta um dilema complexo. Há uma pressão global crescente por sua adoção para mitigar as emissões de carbono, um imperativo ambiental inegável. Contudo, a IATA aponta para a ausência de incentivos robustos para a produção em larga escala do SAF, resultando em seu alto custo e escassez. Sem políticas de fomento adequadas, a transição para uma aviação mais verde pode se tornar insustentável financeiramente para as companhias aéreas, que repassarão esses custos adicionais aos consumidores, ou se verá limitada por uma oferta insuficiente. Este cenário afeta diretamente o custo futuro das viagens e a capacidade do Brasil de alinhar-se às metas de sustentabilidade global sem comprometer seu desenvolvimento econômico.
Em um panorama mais amplo, a capacidade do Brasil de atrair investimentos e capitalizar sobre as projeções de crescimento global da aviação está em xeque. Um ambiente regulatório pesado e uma alta carga tributária podem afastar companhias aéreas, limitar a expansão de infraestrutura e frear o turismo, um motor econômico vital. A decisão dos formuladores de políticas públicas nos próximos meses moldará não apenas o preço de sua próxima passagem, mas a própria conectividade do país com o mundo e seu potencial de recuperação e prosperidade no cenário pós-pandemia.
Contexto Rápido
- A ausência da IATA no Brasil por 27 anos ressalta a importância geopolítica e econômica do retorno da conferência, posicionando o país no centro das discussões sobre as tendências e regulamentações da aviação global.
- Projeções da IATA indicam um crescimento médio anual de 3,7% para a aviação global entre 2026 e 2040, mas o setor ainda opera abaixo dos níveis de volume de passageiros e faturamento registrados em 2019, evidenciando uma recuperação incompleta pós-pandemia.
- A proposta de reforma tributária brasileira, com a potencial implementação de um IVA de 26,5%, gera um alerta da IATA sobre uma possível retração de até 30% na demanda por passagens aéreas, impactando a acessibilidade e o dinamismo do mercado doméstico.