A Reconfiguração do Poder na Síria: O Dilema Druzo e a Influência Externa Pós-Acordo Curdo
Após a integração curda, a província de Sweida, lar da minoria druza, torna-se o último enclave sírio fora do controle central, revelando um complexo jogo geopolítico e o fim de visões separatistas.
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A Síria assiste a uma reconfiguração geopolítica significativa com a recente decisão da minoria curda síria de dissolver seu quase 14 anos de experimento em governo independente. As Forças Democráticas Sírias (SDF), braço militar curdo, serão integradas ao exército sírio, e as áreas ricas em petróleo que controlavam retornarão à autoridade do governo central. Esta mudança marca o fim de uma era de autonomia de facto consolidada durante a guerra civil, uma decisão impulsionada, segundo líderes curdos, por "circunstâncias que mudaram", aludindo possivelmente à dinâmica das alianças internacionais e pressões regionais.
Com a reintegração curda, a província de Sweida, predominantemente druza, emerge como a única região que ainda resiste à plena autoridade de Damasco. Historicamente, o líder druzo Sheikh Hikmat al-Hijri mantinha uma visão política de uma Síria descentralizada com regiões autônomas, coordenada estreitamente com a liderança curda. A dissolução da autonomia curda, no entanto, torna essa visão de uma Síria fragmentada e federalista virtualmente inviável, forçando al-Hijri a uma mudança estratégica drástica.
Em resposta ao novo cenário, al-Hijri reiterou publicamente os laços da comunidade druza com Israel, chegando a declarar os druzos uma "parte inseparável do estado de Israel". Esta declaração, embora contundente, enfrenta barreiras substanciais, como a localização geográfica de Sweida e sua composição demográfica, além da contínua dependência da província em relação ao governo central sírio para serviços essenciais como salários, pensões, eletricidade e água. A mudança reflete uma manobra desesperada para buscar proteção externa face ao cerco político iminente.
A desconfiança dos druzos em relação ao governo sírio central é profunda, enraizada em incidentes de violência interna em julho de 2025, que resultaram em mais de 1.700 mortes, segundo relatórios da ONU. Desde então, Damasco tem adotado uma abordagem cautelosa em Sweida, evitando confrontos militares diretos. A estratégia do governo sírio é esperar, utilizando "ferramentas de segurança, administrativas e econômicas" para sufocar a resistência, contando com o tempo e os desafios internos da administração de al-Hijri para reintegrar a província. Observadores, contudo, indicam que a resolução final para Sweida não dependerá da vontade interna, mas sim da intervenção de forças externas, especialmente Israel, em meio a negociações maiores sobre segurança regional.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- O fim da autonomia curda síria, que durou quase 14 anos desde a eclosão da guerra civil em 2011, reconfigura o mapa de poder na Síria pós-conflito.
- A violência de julho de 2025 em Sweida, que resultou em mais de 1.700 mortes, é a principal causa da desconfiança entre a minoria druza e o novo governo central sírio, estabelecido após a queda do regime Assad em dezembro de 2024.
- A província de Sweida emerge como um ponto focal da geopolítica do Oriente Médio, onde a busca por autonomia local se choca com os interesses de potências regionais e globais, como EUA e Israel, que têm visões opostas sobre a unidade ou divisão da Síria.