Unifap Resgata a Memória da Icomi: Um Legado que Reconfigura o Amapá
A salvaguarda de um colossal acervo documental da mineradora Icomi pela Unifap revela não apenas o passado, mas projeta o futuro social e econômico do Amapá.
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A Universidade Federal do Amapá (Unifap) assume um papel crucial na preservação da história regional ao abrigar e organizar o vasto acervo documental da Indústria e Comércio de Minérios (Icomi). Esta mineradora, que operou por mais de meio século, de 1957 a 1998, foi um pilar econômico e social decisivo para o estado, especialmente na região de Serra do Navio e no desenvolvimento de localidades como Santana.
O material, que demandou o transporte de doze caminhões, compõe uma memória multifacetada que ultrapassa a casa dos cinquenta anos. Entre os documentos, encontram-se prontuários médicos de hospitais que a empresa mantinha, registros contábeis detalhados e fichas de funcionários, que cobrem desde os primeiros trabalhadores até os últimos contratados. A importância imediata desse trabalho de preservação é a utilidade pública: já se observa a capacidade dos arquivos em subsidiar ex-colaboradores na comprovação de tempo de serviço para a garantia de direitos previdenciários, um exemplo tangível de como a história, quando bem cuidada, serve ao presente.
A equipe do Centro de Memórias da Unifap está engajada em um meticuloso processo de limpeza, organização e catalogação, utilizando equipamentos de proteção e técnicas específicas para assegurar a longevidade dos registros. Este esforço não é apenas um ato de arquivamento, mas uma forma de manter "viva" a essência de uma era que delineou o desenvolvimento do Amapá, permitindo a compreensão de acontecimentos sociais e políticos que moldaram a identidade do estado.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- A Icomi foi a maior operação mineral da Amazônia entre 1957 e 1998, responsável pela construção de infraestruturas vitais como a ferrovia de 194km e o Porto de Santana, além de vilas operárias.
- A preservação de arquivos corporativos de grande porte é uma tendência global, reconhecendo o valor desses registros como patrimônio público e fonte de pesquisa para políticas de desenvolvimento e memória social.
- A Unifap tem se destacado em iniciativas de salvaguarda do patrimônio regional, como a catalogação de processos judiciais centenários, reforçando seu papel como guardiã da memória e impulsionadora de pesquisa no Amapá.