Stealthing: A Violência Silenciosa que Mina a Confiança e a Saúde
Mais do que um risco de ISTs, a retirada não consentida do preservativo emerge como uma grave violação da autonomia sexual, com repercussões psicológicas e sociais profundas.
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O stealthing, termo em inglês para a retirada não consensual do preservativo durante o ato sexual, transcende a mera irresponsabilidade ou “problema de casal”. Esta prática insidiosa tem sido progressivamente reconhecida como uma forma explícita de violência sexual, redefinindo os contornos do consentimento e da autonomia corporal. O que antes era subestimado, hoje se revela um fenômeno com consequências devastadoras para a saúde física e mental das vítimas, muitas das quais sequer identificam a agressão.
A desinformação e a dificuldade em nomear essa violação contribuem para sua invisibilidade, perpetuando ciclos de trauma e minando a confiança nas relações íntimas. Compreender o stealthing é o primeiro passo para desmantelar essa violência silenciosa e proteger a integridade sexual e emocional de todos.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- A advogada estadunidense Alexandra Brodsky introduziu o tema "stealthing" no debate acadêmico e jurídico internacional em 2017, embora o termo já circulasse em comunidades online desde 2014, especialmente entre homens gays.
- Um estudo nacional brasileiro de 2024, conduzido por Wendell Ferrari com 2.275 mulheres, revelou que 76% das vítimas tinham até 29 anos, 51,5% nunca haviam ouvido o termo, e impressionantes 83,6% relataram medo de ISTs ou gravidez, enquanto 77,6% perderam a confiança em futuros parceiros. Apenas 1,5% buscaram a delegacia.
- O debate jurídico global avança, com decisões na Suíça, Alemanha e Canadá, e leis civis específicas em estados como Califórnia (EUA), reforçando a violação do consentimento sexual quando as condições de uso do preservativo são alteradas unilateralmente, evidenciando uma tendência de criminalização e reconhecimento da prática como violência.