Crise Fiscal Ameaça Saúde do RN: Dívida de Quase R$ 700 Milhões e o Impacto Direto no Cidadão
Uma análise profunda revela como o passivo financeiro e o subfinanciamento público comprometem serviços essenciais, da Unicat aos hospitais, afetando a vida de cada potiguar.
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O Rio Grande do Norte enfrenta um desafio sem precedentes em sua saúde pública. Um recente despacho do Ministério Público (MPRN) expôs uma dívida alarmante de quase R$ 700 milhões em "restos a pagar processados", montante devido a fornecedores e prestadores de serviços que já cumpriram suas obrigações com o Estado. Essa cifra monumental, somada a uma nova dívida flutuante de R$ 29,2 milhões acumulada apenas nos primeiros quatro meses do ano, desenha um cenário de grave instabilidade financeira que repercute diretamente na qualidade e na continuidade dos serviços de saúde oferecidos à população potiguar.
O relatório do MPRN, base para uma audiência crucial entre secretarias estaduais de Saúde (Sesap), Fazenda (Sefaz) e Planejamento (Seplan), evidencia não apenas o acúmulo de débitos, mas também uma flagrante inobservância constitucional: o Estado aplicou meros 6,64% das receitas de impostos em saúde até abril, muito abaixo do piso obrigatório de 12%. Essa discrepância projeta um déficit imediato de mais de R$ 333 milhões e traduz-se em uma "asfixia assistencial severa", com impactos já visíveis no desabastecimento de medicamentos, insumos e na interrupção de cirurgias em unidades hospitalares vitais como o Walfredo Gurgel e o Santa Catarina.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- A situação atual não é um evento isolado; o RN tem histórico de desafios fiscais e administrativos, com decisões judiciais anteriores cobrando planos para o equilíbrio financeiro, inclusive na previdência estadual, indicando uma gestão orçamentária sob pressão crônica.
- Dados recentes apontam que o Estado aplicou apenas 6,64% das receitas de impostos em saúde até abril, contrastando com o mínimo constitucional de 12%, gerando um déficit de R$ 333,7 milhões e comprometendo o Fundo Estadual de Saúde (Fusern) com uma retenção de R$ 141 milhões pela Sefaz.
- A crise afeta diretamente a rede hospitalar regional, resultando em carência de até 40% de insumos no Hospital Santa Catarina, desabastecimento de reagentes no Hemonorte e interrupções cirúrgicas em hospitais como o Giselda Trigueiro e Walfredo Gurgel, impactando a vida dos cidadãos em todo o território potiguar.