As Propostas de Ronaldo Mansur e a Promessa de Transformação da Gestão Pública na Bahia
Análise aprofundada das ideias do pré-candidato do PSOL para a secretaria de educação, concursos e segurança, e seu potencial de redefinir o futuro do estado.
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A recente entrevista de Ronaldo Mansur, pré-candidato ao governo da Bahia pelo PSOL, no programa Resenha das 7 da Bahia FM, expôs um conjunto de propostas que, se implementadas, poderiam representar uma guinada paradigmática na gestão pública estadual. Longe de serem meros acenos eleitorais, suas ideias para a seleção de secretários, a realização de concursos públicos e a reestruturação da segurança pública apontam para uma filosofia de governança que prioriza a meritocracia e a participação profissional, desafiando o modelo tradicional de indicações políticas.
A proposição de uma 'lista tríplice' para a escolha de secretários, especialmente na educação, é um dos pontos mais disruptivos. Ao permitir que os próprios profissionais da área indiquem nomes qualificados, Mansur busca despolitizar pastas estratégicas, visando uma administração mais técnica e menos suscetível a interesses partidários. Esta medida, se bem-sucedida, poderia elevar a qualidade dos serviços públicos, ao colocar à frente da gestão indivíduos com conhecimento profundo dos desafios e necessidades do setor, e não apenas com trânsito político.
Paralelamente, a defesa do fim das contratações via Regime Especial de Direito Administrativo (REDA) em favor da realização de concursos públicos representa uma agenda de valorização do servidor público e de combate ao clientelismo. O REDA, historicamente, tem sido alvo de críticas por sua natureza provisória e por ser, em muitos casos, um instrumento de barganha política. A transição para concursos públicos garantiria estabilidade, meritocracia e um corpo técnico mais qualificado e engajado, com impacto direto na eficiência e na continuidade das políticas públicas, sobretudo em áreas essenciais como educação e saúde.
No âmbito da segurança, a crítica à ineficácia das abordagens atuais e a ênfase na melhoria das condições de trabalho para policiais civis e militares, aliada à proposta de combate ao crime organizado, sugerem uma reavaliação estratégica. O cenário de crescente violência e domínio do crime organizado na Bahia exige respostas complexas que vão além do simples aumento de efetivo ou armamento. A visão de Mansur aponta para uma política de segurança que alia o investimento em recursos humanos à inteligência e à tecnologia, como as câmeras corporais, para garantir tanto a segurança da população quanto a redução da letalidade policial.
Ainda digna de nota é a meta de compor metade do secretariado com mulheres. Essa medida não apenas busca corrigir a histórica sub-representação feminina nos altos escalões do poder, mas também visa trazer novas perspectivas e sensibilidades para a formulação e execução de políticas públicas, com o potencial de impactar positivamente a vida de milhões de baianas. As propostas de Mansur, portanto, convidam o eleitorado a refletir sobre um futuro para a Bahia pautado pela eficiência, transparência e inclusão social.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- O debate sobre a despolitização de cargos estratégicos na administração pública tem ganhado força nos últimos anos, em contraponto à prática comum de indicações políticas que frequentemente comprometem a expertise técnica.
- Dados recentes do IBGE e de órgãos de segurança pública apontam para um aumento da criminalidade e da atuação de facções organizadas na Bahia, colocando o tema da segurança no centro do debate eleitoral de 2026.
- A Bahia, como outros estados brasileiros, enfrenta desafios orçamentários e de gestão de pessoal, com discussões frequentes sobre a sustentabilidade do REDA e a necessidade de concursos para preencher lacunas no serviço público.