Feminicídio em Santa Catarina: O Mapa da Violência Revela Crises Silenciosas no Interior
Análise aprofundada do Mapa do Feminicídio expõe a brutalidade dos dados, a persistência de vulnerabilidades e o clamor por respostas eficazes, redefinindo a segurança feminina no estado.
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O recente levantamento do Ministério Público de Santa Catarina, o Mapa do Feminicídio, lança luz sobre uma realidade alarmante: 334 mulheres foram vítimas de feminicídio no estado entre 2020 e 2024. Este estudo meticuloso transcende a mera estatística, delineando um perfil das vítimas e dos agressores, bem como identificando padrões geográficos que reconfiguram nossa compreensão da violência de gênero.
A análise aponta que 71% dos casos têm ligação direta com relacionamentos afetivos – maridos, companheiros ou ex-parceiros –, sublinhando a dimensão íntima e muitas vezes invisibilizada dessa barbárie. O perfil das vítimas, predominantemente mulheres com baixa escolaridade e renda familiar limitada, evidencia a sobreposição de vulnerabilidades socioeconômicas que dificultam o acesso à justiça e aos mecanismos de proteção.
Um dos achados mais impactantes é a identificação dos chamados "corredores do feminicídio" no interior do estado, onde o risco proporcional de mulheres serem assassinadas por razões de gênero é significativamente maior do que nos grandes centros urbanos. Essa constatação desmistifica a percepção de que a violência letal feminina está concentrada apenas em metrópoles, apontando para uma crise silenciosa e sistêmica que exige uma nova abordagem regional.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- A Lei 13.104/2015, que tipificou o feminicídio no Código Penal, visou coibir a violência de gênero, mas seus efeitos ainda revelam um cenário desafiador, com a persistência de altas taxas.
- Entre 2020 e 2024, Santa Catarina contabilizou 334 feminicídios, com 71% dos casos classificados como íntimos, ou seja, cometidos por companheiros ou ex-companheiros, revelando a periculosidade das relações afetivas desvirtuadas.
- O estudo identificou "corredores do feminicídio" no Oeste catarinense (Xanxerê a São Miguel do Oeste) e entre Lages e Curitibanos, onde a incidência proporcional do crime é alarmantemente superior à média estadual, deslocando o epicentro da discussão para o interior.