Ananindeua Lidera com Axé Legal Ananin: Dignidade e Regularização para Terreiros
A iniciativa municipal que descomplica a imunidade tributária e fundiária para religiões de matriz africana, redefinindo a relação entre fé, Estado e o respeito às tradições no Pará.
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A Prefeitura de Ananindeua, no Pará, deu um passo significativo em direção à equidade e ao reconhecimento cultural com o lançamento do Programa Axé Legal Ananin. Esta política pública inovadora visa simplificar e formalizar o reconhecimento da imunidade tributária e a regularização fundiária de terreiros e templos de religiões de matriz africana e afro-brasileira no município. O evento de lançamento, realizado no Teatro Municipal, não foi apenas uma formalidade administrativa, mas uma celebração da dignidade e da resiliência das comunidades tradicionais.
Em sua essência, o Axé Legal Ananin regulamenta, em nível municipal, um direito já consagrado pela Constituição Federal: a imunidade de impostos sobre imóveis destinados a fins religiosos. Contudo, a burocracia e a falta de mecanismos claros muitas vezes impediam que esses templos acessassem tal benefício. O programa agora busca desatar esses nós, oferecendo um caminho desburocratizado para que as lideranças religiosas possam garantir a segurança jurídica e financeira de seus espaços de fé e cultura, aceitando documentação flexível e compatível com a organização dessas comunidades.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- No Brasil, a história das religiões de matriz africana é marcada por séculos de perseguição, intolerância e marginalização, culminando em invisibilidade e insegurança jurídica para seus espaços de culto.
- Dados do último censo e levantamentos de direitos humanos apontam para um aumento da intolerância religiosa, mas também para uma crescente conscientização sobre a necessidade de políticas públicas que garantam a liberdade e a proteção dessas manifestações de fé.
- Para a Região Norte e especificamente para Ananindeua, um município com forte presença de comunidades tradicionais, a regularização fundiária e a imunidade tributária representam um avanço crucial na luta contra a discriminação e na valorização do patrimônio cultural imaterial.