Afonso Pena: O Alto Custo da Instabilidade no Planejamento Urbano de Belo Horizonte
A desmobilização da ciclovia na Avenida Afonso Pena em Belo Horizonte não é apenas um desmonte físico, mas um revelador estudo de caso sobre a gestão de recursos públicos, a descontinuidade de projetos e a visão de futuro da mobilidade urbana.
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Em um movimento que reacende o debate sobre planejamento urbano e a responsabilidade fiscal, a Prefeitura de Belo Horizonte iniciou, neste sábado (13), o desmanche dos trechos de ciclovia construídos na icônica Avenida Afonso Pena. A medida, celebrada pelo prefeito Álvaro Damião em redes sociais, que a classificou como 'dia mais esperado por boa parte da população', revela uma profunda dicotomia entre a demanda por mobilidade sustentável e as prioridades da gestão municipal.
A estrutura em questão fazia parte de um ambicioso projeto de revitalização da Afonso Pena, com um custo total estimado em R$ 26,3 milhões, iniciado no final de 2023. A ciclovia, com 4,2 km previstos, foi paralisada em abril de 2024 após questionamentos judiciais do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Curiosamente, a Justiça inicialmente negou o pedido do MPMG para suspender a obra, e posteriormente, em junho de 2025, chegou a autorizar a implantação. Contudo, as intervenções não foram retomadas, e agora, a mesma via legal, segundo o prefeito, autorizou o desmanche.
O episódio levanta sérias indagações sobre o destino do dinheiro público. Segundo estimativas de movimentos cicloativistas, cerca de R$ 314 mil foram aplicados diretamente na construção da ciclovia, somados a R$ 300 mil em planejamento e projeto. Agora, a esses valores se adiciona o custo ainda incalculável do desmanche, configurando um desperdício do erário que poderia ter sido direcionado a outras urgências da cidade. O prefeito, embora prometendo expandir a malha cicloviária em outras áreas, enfatizou que avenidas de alto fluxo como a Afonso Pena não comportam tal infraestrutura, uma visão que contrasta com o Plano Diretor do município, que prevê a rede cicloviária na referida avenida.
A ação da prefeitura não apenas frustra os ciclistas, que acionaram a Justiça para tentar barrar a demolição e garantir a conclusão da obra, mas também expõe a fragilidade dos projetos de longo prazo e a suscetibilidade a reviravoltas políticas ou de opinião pública. A falta de continuidade e a aparente falta de diálogo entre diferentes esferas governamentais e a sociedade civil organizada transformam um projeto de infraestrutura em um embate ideológico, com consequências tangíveis para o bolso do contribuinte e a qualidade de vida urbana.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- A ciclovia da Afonso Pena fazia parte de um projeto de revitalização de R$ 26,3 milhões, iniciado em 2023, visando modernizar uma das principais artérias de Belo Horizonte.
- Estimativas preliminares indicam que cerca de R$ 614 mil foram investidos em planejamento e construção da ciclovia, sem contar o custo ainda não divulgado do desmanche, representando um considerável dispêndio do erário.
- O episódio reacende o debate sobre o cumprimento do Plano Diretor de Belo Horizonte, que prevê uma rede cicloviária na região, e a transparência na gestão de projetos de mobilidade urbana na capital mineira.