Belém: A Passarela da COP30 Desmontada Revela Desafios Estruturais e a Fragilidade da Confiança Pública
A remoção preventiva de uma estrutura crítica para o Parque Urbano Igarapé São Joaquim expõe falhas sistêmicas na execução de grandes obras e suas profundas repercussões na vida dos cidadãos.
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A capital paraense foi palco, nesta semana, de um episódio que lança luz sobre a complexidade e os desafios inerentes aos projetos de infraestrutura de grande porte: a desmontagem de uma passarela de 36 metros na Avenida Júlio César. Parte essencial das obras do Parque Urbano Igarapé São Joaquim, um dos eixos estruturantes para a COP30, a estrutura precisou ser removida após o surgimento de um iminente risco de queda. Mais do que um mero incidente de engenharia, este acontecimento desencadeia uma série de questionamentos sobre a segurança das edificações públicas, a gestão de recursos e a transparência em processos que impactam diretamente o cotidiano da população.
Desde sua instalação em outubro de 2025, a passarela já havia sido alvo de intensa controvérsia, com motoristas e moradores expressando preocupações persistentes sobre sua altura. Incidentes quase diários, envolvendo veículos de grande porte que por pouco não colidiram com a estrutura, forçaram uma intervenção do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Pará (Crea-PA) à época. Embora a vistoria inicial tenha atestado conformidade com os parâmetros técnicos vigentes, as ocorrências práticas compeliram o consórcio responsável a elevar sua altura. A decisão de desmontagem, classificada como preventiva pela Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), veio após uma perícia da Polícia Científica identificar fissuras e fragilidades, culminando em uma operação que paralisou uma das principais vias da cidade.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- A passarela fazia parte do Parque Urbano Igarapé São Joaquim, uma das obras prometidas para a COP30 em Belém, com um orçamento de R$173 milhões (R$150 milhões da Itaipu Binacional e R$23 milhões da Prefeitura de Belém), e que não foi entregue na sua totalidade a tempo do evento global.
- Críticas e incidentes envolvendo a altura da passarela ocorreram desde sua instalação em outubro de 2025, resultando em uma vistoria do Crea-PA e subsequente alteração na estrutura, evidenciando uma desconexão entre o planejamento técnico e a realidade operacional do tráfego urbano.
- A necessidade de desmontagem de uma obra recém-inaugurada e ligada a um evento internacional de tal magnitude compromete a imagem de Belém, gera custos de retrabalho – mesmo que arcados pelo consórcio – e levanta dúvidas sobre a fiscalização de grandes projetos de infraestrutura na região.