Ozempic no SUS e o Fim da Patente: Um Novo Capítulo na Saúde e Economia Brasileira
A incorporação da semaglutida no SUS carioca e a expiração da patente redefinem o combate à obesidade, desencadeando transformações sociais e econômicas de alcance inédito no país.
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O Rio de Janeiro deu um passo emblemático ao se tornar a primeira cidade brasileira a oferecer o medicamento Ozempic (semaglutida) através do Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa, liderada pelo prefeito Eduardo Paes, ocorre em um momento estratégico: a patente da semaglutida no Brasil chegou ao fim, abrindo caminho para o desenvolvimento de versões genéricas. Contudo, a imediata redução de custos e a incorporação em nível nacional permanecem como desafios logísticos e regulatórios.
Apesar do clamor por uma expansão nacional, a questão do custo — cerca de R$ 1.400 mensais por tratamento — impõe uma barreira significativa. Essa realidade coloca o tema em um epicentro de debate, evidenciando a dualidade entre a urgência da saúde pública e as complexidades econômicas. Enquanto especialistas médicos, como Cynthia Valério da Abeso, reforçam que a obesidade é uma doença crônica que exige tratamento sério e acessível, a discussão em torno da 'falta de esforço' e o apelo a mudanças de hábitos persistem em algumas esferas, ignorando as bases fisiológicas da condição. O horizonte que se desenha não é apenas de mudanças na medicina, mas de uma reconfiguração profunda nos hábitos de consumo e na dinâmica de múltiplos setores econômicos, desde a indústria alimentícia e fitness até o mercado de bebidas e vestuário.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- A obesidade é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença crônica, não uma falha de caráter, e seu tratamento, historicamente, apresentava opções limitadas e de eficácia moderada. Os novos análogos de GLP-1, como a semaglutida, representam um avanço substancial.
- No Brasil, o cenário é alarmante: um a cada três adultos (31%) vive com obesidade, segundo o Atlas Mundial da Obesidade 2025. Os medicamentos baseados em semaglutida demonstraram perdas de peso significativas em estudos (até 17% com Wegovy e 26% com Mounjaro), superando as terapias anteriores.
- A chegada desses medicamentos e a consequente redefinição da relação do indivíduo com a comida e o exercício estão gerando um efeito dominó em diversas indústrias, desde o varejo de alimentos, com a procura por porções menores e opções mais saudáveis, até a indústria do fitness, que migra do foco na perda de peso para o bem-estar.