Rompimento de Açude no RN: A Licença que Não Veio e o Risco Oculto em Suas Águas
Paralisação de obras em açude rompido revela falhas críticas na fiscalização e na segurança hídrica regional, expondo vulnerabilidades sistêmicas.
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A paralisação das obras de recuperação do açude Outeiro, em Canguaretama (RN), por determinação do Instituto de Gestão das Águas do Rio Grande do Norte (Igarn), transcende o incidente isolado de um rompimento. A interrupção, motivada pela ausência de Licença de Obra Hidráulica e pelo não cadastramento da estrutura no Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB), expõe uma falha sistêmica crítica na gestão e fiscalização de infraestruturas hídricas privadas em regiões vulneráveis.
O episódio, que ocorreu no domingo (26), após intensas chuvas, resultou em danos a plantações e estradas, além de cercar residências. A empresa proprietária, que já havia assumido a responsabilidade, agora enfrenta não apenas a urgência da reconstrução, mas também a iminência de sanções administrativas e civis. Mais alarmante é a revelação de que a barragem, que supostamente passou por ampliação recente e já apresentava fissuras segundo relatos de moradores, operava à margem da regulamentação essencial para garantir a segurança de todos os envolvidos, direta ou indiretamente.
Este caso não é apenas sobre um açude; é um espelho das fragilidades na supervisão de estruturas que, embora privadas, exercem um impacto público inegável, especialmente em áreas rurais onde a água é um recurso vital e a topografia pode amplificar os riscos de desastres.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- O Brasil possui um histórico recente de tragédias hídricas, como Mariana (2015) e Brumadinho (2019), que, embora em maior escala e complexidade, sublinham a importância crítica da fiscalização e licenciamento de barragens, sejam elas de mineração ou de usos múltiplos, ressaltando a necessidade de rigor em qualquer escala.
- Estimativas apontam que uma parcela significativa das pequenas e médias barragens no país, muitas delas de propriedade privada e sem fins minerários, não estão devidamente cadastradas nos órgãos reguladores, dificultando a fiscalização e a aplicação de normas de segurança. Além disso, as mudanças climáticas têm intensificado eventos extremos de chuva, elevando a pressão sobre essas estruturas.
- O Rio Grande do Norte, como outros estados do semiárido, depende crucialmente de açudes e barragens para o abastecimento e irrigação, tornando a segurança dessas infraestruturas um pilar para a estabilidade econômica e social regional, especialmente para a agricultura familiar e comunidades ribeirinhas.