A Colômbia e a Amarga Colheita da Desilusão: O Retorno da Coca e Seus Ecos Globais
Programas de erradicação de cultivos ilícitos tropeçam na ineficácia estatal e na voracidade do mercado, projetando sombras sobre a paz colombiana e a segurança internacional.
Reprodução
A Colômbia, outrora símbolo de um acordo de paz ambicioso, encontra-se novamente em um beco sem saída agrário. Agricultores como Perea, que um dia acreditaram na promessa de uma vida legal e pacífica, foram forçados a retornar ao cultivo da coca, a matéria-prima da cocaína. Com impressionantes 250 mil hectares dedicados à planta, o país estabelece um novo e preocupante recorde. Este ciclo vicioso, alimentado por um apoio governamental ineficaz e pela persistente demanda global por drogas, não é apenas uma questão de subsistência para milhares de famílias; é um sintoma da fragilidade da paz e um alerta para a segurança e estabilidade internacionais.
O Programa Nacional Integral de Substituição de Cultivos Ilícitos (PNIS), lançado após o histórico acordo com as FARC em 2017, prometeu uma nova era, mas a realidade dos atrasos e da ausência estatal nas áreas mais remotas deixou muitos desamparados. Agora, o novo programa RenHacemos busca corrigir as falhas, mas a desconfiança é profunda e o tempo, curto.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- O Acordo de Paz de 2016 com as FARC visava, entre outras coisas, erradicar o cultivo de coca através de incentivos econômicos e desenvolvimento rural, marcando uma tentativa histórica de desmantelar um dos pilares da economia ilegal colombiana.
- A Colômbia detém o recorde de 250 mil hectares cultivados com coca, impulsionada por uma demanda global de cocaína que se expande para além dos mercados tradicionais dos EUA e Europa, com novas rotas e consumidores emergentes.
- A incapacidade do Estado colombiano em consolidar sua presença e oferecer alternativas econômicas viáveis em regiões remotas fortalece grupos armados ilegais, que preenchem o vácuo de poder e controlam vastas cadeias de produção e tráfico, com implicações diretas na segurança regional e global.