Mato Grosso: O Paradoxo do Aumento de Internações Juvenis em Meio à Queda Nacional
Enquanto o Brasil celebra uma redução histórica, Mato Grosso vê suas unidades socioeducativas dobrarem a ocupação por adolescentes, um fenômeno com profundas implicações regionais.
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Um levantamento recente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) em conjunto com o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) revela um cenário preocupante e singular em Mato Grosso. Contrarriando uma tendência nacional de queda significativa no número de adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas em meio fechado, o estado registrou um aumento expressivo de 102,6% entre 2018 e 2025, saltando de 114 para 231 jovens. Esta elevação coloca Mato Grosso como a única unidade da federação a seguir um caminho inverso ao do país, que observou uma redução de 50,2% no mesmo período.
Os dados também detalham o perfil predominante desses jovens: majoritariamente meninos (93,4%), autodeclarados negros (73,7%) e na faixa etária de 16 a 18 anos (76,1%). Os atos infracionais mais comuns são roubo (29,1%) e tráfico de drogas (27,9%), um retrato que espelha as vulnerabilidades sociais e econômicas que frequentemente antecedem o envolvimento com a criminalidade. A taxa por 100 mil habitantes também dobrou, passando de 22,5 para 45,2, enquanto a média nacional diminuiu, sublinhando a urgência de uma análise aprofundada sobre as dinâmicas locais.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- O Brasil, desde 2016, vinha registrando uma queda contínua no número de adolescentes internados, interrompida por uma leve estabilização e crescimento de 1,2% entre 2024 e 2025, após uma redução geral de 50,2% desde 2018.
- Mato Grosso é o único estado com um aumento de 102,6% no número de adolescentes em medidas socioeducativas de privação de liberdade entre 2018 e 2025, de 114 para 231 jovens, enquanto a taxa nacional caiu de 84,2 para 50,7 por 100 mil habitantes.
- Este fenômeno regional ocorre em meio à retomada das discussões sobre a redução da maioridade penal no Congresso Nacional, reforçando a necessidade de políticas públicas focadas na prevenção da violência e aprimoramento do sistema socioeducativo, ao invés do mero encarceramento.