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MP e PF prendem 6 em operação contra esquema de corrupção e lavagem de dinheiro na Polícia Civil de SP
G1
MPF e PF apuram corrupção na Polícia Civil de SP
Uma operação do Ministério Público de São Paulo, em ação conjunta com a Polícia Federal e a Corregedoria Geral da Polícia Civil, prendeu nesta quinta-feira (5) ao menos seis pessoas suspeitas de integrar um esquema de corrupção sistêmica e lavagem de dinheiro que teria se instalado em departamentos estratégicos da Polícia Civil de São Paulo.
Entre os presos há três policiais civis, uma doleira e outros dois investigados. A ação ainda está em andamento.
A investigação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, apura a participação de policiais, advogados e operadores financeiros.
De acordo com a decisão do juiz Paulo Fernando Deroma de Mello, o grupo teria transformado delegacias especializadas em um centro de negociações para garantir a impunidade de criminosos. Entre as medidas autorizadas estão prisões preventivas, mandados de busca e apreensão e o bloqueio de bens e valores dos investigados.
O esquema funcionava, basicamente, de duas formas:
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que a Corregedoria da Polícia Civil participa da operação e que "a Polícia Civil não compactua com desvios de conduta por parte de seus integrantes e adotará todas as medidas legais e disciplinares cabíveis caso sejam confirmadas quaisquer irregularidades".
Viatura da Polícia Federal — Foto: Divulgação/PF
A investigação aponta que a organização criminosa utilizava métodos sofisticados para ocultar a origem de recursos ilícitos, incluindo o uso de empresas de fachada e a simulação de operações de importação.
Os doleiros Leonardo Meirelles e Meire Poza, alvos da Operação Lava Jato, são apontados como operadores do grupo. Segundo o Ministério Público, a rede contava com a colaboração de agentes públicos para evitar fiscalizações e encerrar inquéritos após o pagamento de propina.
Meire é uma das presas na operação desta quinta. Também há um mandado de prisão contra Meirelles, mas ainda não foi localizado pelos agentes. Ele já era procurado em outro processo que já tinha condenação e não havia sido preso. A defesa deles não foi localizada pela reportagem.
A contadora e doleira Meire Poza durante depoimento no Senado Federal, durante a operação Lava Jato, em agosto de 2014. — Foto: Pedro França/Agência Senado
O documento judicial detalha episódios de corrupção no Departamento de Investigações Criminais (Deic) e no Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC). Em um dos casos relatados, investigados teriam tido acesso às dependências do DPPC para substituir um disco rígido (HD) apreendido por um dispositivo sem informações incriminatórias.
Também há menções a pagamentos de propina realizados no hangar do Serviço Aerotático da Polícia Civil, no Campo de Marte, e extorsões conduzidas no âmbito do 16º Distrito Policial (Vila Clementino). Em um dos episódios citados pela Promotoria, policiais teriam exigido R$ 5 milhões para não dar prosseguimento a um inquérito.
Foram decretadas as prisões de 11 investigados. A Justiça autorizou ainda o cumprimento de 23 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados e às empresas de fachada utilizadas pelo grupo. Os alvos incluem residências particulares, escritórios de advocacia e as sedes das delegacias onde os policiais investigados estavam lotados (DPPC, DEIC e 16º DP).
Ao fundamentar as medidas cautelares, o magistrado destacou o que classificou como "subversão ao dever funcional" por parte dos agentes envolvidos.
A investigação que resultou na operação desta quinta é um desdobramento da Operação Recidere, deflagrada em 2023 contra um esquema bilionário de envio de dinheiro ilícito ao exterior.
O grupo era composto pelos maiores doleiros do país, controlava pessoas jurídicas abertas em nome de "laranjas", obtinha habilitação e fechava contratos de câmbio com base em faturas comerciais falsificadas para ocultar remessas de terceiros que queriam manter anonimato e driblar órgãos de controle.
O doleiro Leonardo Meirelles foi o principal alvo da Operação Recidere.
Uma delas é a Operação Fractal, que revelou um esquema de lavagem de dinheiro, com uso de empresas de fachada que simulavam operações comerciais para mascarar a origem ilícita dos valores, além de se usar intermediários para comprar criptomoedas e outros ativos digitais para dificultar o rastreio do dinheiro.
Mas, no decorrer da investigação pela Operação Fractal foram apuradas tratativas ilícitas e atos de fraude processual por parte dos policiais civis, além de corrupção sistêmica, principalmente por parte de policiais vinculados ao Deic, ao DPPC e ao 16º Distrito Policial.
Os diálogos obtidos na análise dos celulares obtidos indicam a ocorrência de diversos atos de corrupção no âmbito do DPPC durante a investigação decorrente da Operação Fractal que acarretaram na frustração das investigações e na blindagem dos integrantes da organização criminosa investigada.
Fonte:
G1