O Legado Inesperado de Deywetty Molari: A Perda de um Coreógrafo e o Impacto na Cena Cultural Paranaense
A morte precoce do jovem talento, figura fundamental para o Grupo Lanteri e o Dancep, levanta questões sobre o futuro da dança e do teatro regional no Paraná.
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A partida inesperada de Deywetty Geovani Molari, aos 32 anos, representa mais do que uma triste notícia; é a abertura de um vácuo significativo na rica tapeçaria cultural do Paraná. Sua morte, após um período de tratamento contra hepatite, nos lembra da efemeridade da vida e do valor imensurável dos indivíduos que, com paixão e dedicação, moldam a identidade artística de uma região. Molari não era apenas um coreógrafo; ele foi uma força motriz, um elemento catalisador que, ao longo de 15 anos, dedicou-se à arte com uma intensidade inigualável, impactando diretamente dois dos mais importantes pilares da produção cultural paranaense: o renomado Grupo Lanteri e o inovador Dancep do Colégio Estadual do Paraná.
Sua trajetória, que se iniciou em uma realidade social de origens humildes e foi aprimorada pela formação em dança na Unespar, é um testemunho vívido da capacidade transformadora da arte. No Grupo Lanteri, reconhecido pela segunda maior encenação da Paixão de Cristo no Brasil, Deywetty transcendeu o papel de bailarino e coreógrafo. Ele se integrou à equipe de efeitos especiais e, notavelmente, atuou como “cuspidor de fogo”, demonstrando uma versatilidade e um compromisso total com a grandiosidade e o espetáculo. Sua contribuição era essencial para a dimensão visual e a profundidade emocional dessas produções que, anualmente, atraem milhares de espectadores e se consolidam como um marco no calendário cultural da região. A suspensão dos ensaios do grupo em respeito à sua memória é um indicativo eloquente da profundidade de sua influência.
No Dancep, grupo de dança contemporânea que atua como um celeiro de talentos jovens, Molari não só imprimiu sua marca coreográfica, mas também inspirou e guiou inúmeros estudantes. A declaração de Fernando Nascimento, diretor do grupo, de que Deywetty “faz parte da história do Dancep” e era “um guerreiro” sublinha seu papel como mentor e figura inspiradora. A perda de um profissional com essa experiência e dedicação representa um golpe sensível para a continuidade e a inovação no trabalho com as novas gerações de artistas.
Além das grandes produções, Deywetty também se dedicou a projetos culturais em Campina Grande do Sul e Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, estendendo seu alcance a crianças, jovens e idosos. Isso revela um comprometimento profundo com a democratização da arte e com o desenvolvimento social através da cultura, um legado que ressoa fortemente nas comunidades. Sua ausência será sentida não apenas nos palcos iluminados, mas também nas oficinas e salas de aula onde a arte é semeada. A partida de Molari é um alerta sobre a necessidade premente de valorizar e apoiar os artistas regionais que, muitas vezes nos bastidores, constroem a riqueza cultural e a identidade de um estado.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- Deywetty Molari foi um pilar por 15 anos no Grupo Lanteri, responsável pela segunda maior encenação da Paixão de Cristo no Brasil, e deixou sua marca no renomado Dancep do Colégio Estadual do Paraná, instituições que formam e projetam talentos artísticos há décadas.
- A cultura paranaense, embora vibrante, enfrenta o desafio constante de reter e desenvolver talentos, especialmente aqueles engajados em projetos sociais e comunitários que promovem a inclusão e o acesso à arte em diferentes faixas etárias e contextos socioeconômicos.
- A perda de um profissional multifacetado como Molari, que atuava desde a criação coreográfica até a execução de efeitos especiais e o ensino em comunidades, evidencia a vulnerabilidade da cadeia produtiva da cultura regional e a necessidade urgente de políticas de incentivo e suporte contínuo aos artistas.