O Legado Duradouro de Antonino Campos: Um Arquiteto Verde para Sergipe
A partida de um pioneiro da agronomia em Sergipe ressalta a importância da pesquisa e extensão rural para o desenvolvimento local e a qualidade de vida da população.
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A partida de Antonino Campos, aos 83 anos, em Aracaju, transcende a mera notícia de falecimento de um cidadão ilustre. Ela marca o fim de um capítulo de uma trajetória dedicada à terra e ao saber, profundamente entrelaçada com o desenvolvimento agrário e acadêmico de Sergipe. Nascido na capital sergipana, Campos não foi apenas um engenheiro agrônomo formado pela Escola Agronômica da Bahia em 1966; ele foi um visionário cujas ações reverberaram por décadas na paisagem rural e urbana do estado.
Sua incursão inicial na produção de cacau, em um período de efervescência agrícola, foi apenas o prelúdio para uma carreira acadêmica seminal. Em 1970, ele ingressou na Universidade Federal de Sergipe (UFS), onde seu papel foi crucial na gênese do Departamento de Engenharia Agronômica em 1992. Esta iniciativa não representou apenas a criação de uma nova estrutura universitária; ela simbolizou a solidificação de uma base para a formação de novos profissionais com profundo conhecimento das peculiaridades do solo e clima sergipano, essenciais para uma agricultura mais resiliente e produtiva.
Além da academia, o Professor Antonino estendeu sua influência para a gestão pública e a disseminação do conhecimento. Sua atuação em cargos na Prefeitura de Aracaju e no Comitê Municipal de Arborização, representando a Associação de Engenheiros Agrônomos de Sergipe (AEASE), demonstra seu compromisso com a aplicação prática da agronomia em benefício da comunidade. A elaboração de livros e artigos técnicos sobre paisagismo e jardinagem, somada à sua participação constante no Programa Estação Agrícola, da TV Sergipe, transformou-o em um elo direto entre a ciência e o cidadão comum, desmistificando técnicas e fornecendo orientações valiosas para produtores e entusiastas da jardinagem.
Este conjunto de contribuições não apenas elevou o patamar técnico da agricultura sergipana, mas também democratizou o acesso à informação, empoderando agricultores familiares e promovendo uma conscientização ambiental que, ainda hoje, é vital para o futuro do estado. Sua visão holística, que unia a pesquisa científica, a prática de campo e o engajamento cívico, construiu um legado que moldou a maneira como Sergipe pensa e pratica sua relação com a terra.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- A agricultura é um pilar histórico da economia sergipana, com culturas como a cana-de-açúcar, coco e, outrora, o cacau, desempenhando papéis cruciais no desenvolvimento do estado.
- Atualmente, a busca por práticas agrícolas sustentáveis e a valorização da agricultura familiar são tendências crescentes, essenciais para a segurança alimentar e a resiliência climática da região.
- A fundação e consolidação de instituições de ensino superior no interior, como o Departamento de Engenharia Agronômica da UFS, foi vital para capacitar mão de obra local e gerar pesquisa adaptada às necessidades regionais.