O Vácuo Cultural: A Partida de Enoque dos Santos e o Desafio da Preservação em Estância
A morte do mestre fogueteiro não apenas encerra um ciclo de vida, mas levanta questionamentos urgentes sobre a salvaguarda das tradições populares sergipanas.
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A cidade de Estância, no sul de Sergipe, despede-se de uma de suas mais emblemáticas figuras: Enoque dos Santos, aos 81 anos. Poeta, embolador, artista plástico e, acima de tudo, o célebre fogueteiro, Enoque dedicou sua vida à rica tapeçaria da cultura popular local. Sua partida, na noite de uma segunda-feira que reverberou com a tradicional batucada e o brilho dos fogos de artifício que tanto amou e dominou, representa mais do que o luto por um indivíduo; simboliza um marco para a identidade cultural estanciana.
Mestre na arte do fogo, Enoque dos Santos era um pilar na preservação de manifestações como as “espadadas” e “busca-pés”, elementos centrais das festividades juninas da região. Seu legado não se resume apenas à técnica, mas à paixão e ao conhecimento intrínseco que o tornaram um guardião vivo das tradições. A prefeitura de Estância, ao lamentar seu falecimento, reconhece o irrefutável valor de sua contribuição, que transcendeu gerações e consolidou a cidade como um polo vibrante da cultura popular sergipana.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- A “arte do fogo”, especialmente a fabricação de espadas e busca-pés, é uma tradição secular em Estância, com raízes profundas que remontam aos festejos juninos e à religiosidade popular.
- No Brasil, o desafio da transmissão intergeracional de saberes tradicionais é crescente, com muitos mestres falecendo sem que seu conhecimento seja adequadamente documentado ou replicado, ameaçando a continuidade de patrimônios imateriais.
- Estância é reconhecida nacionalmente como a "Capital Brasileira do Barco de Fogo", um título que reforça a centralidade da pirotecnia artesanal e das manifestações populares em sua identidade e economia local.