Regularização Fundiária em Aracaju: O Embate entre Direito Social e Rigor Legal na Comunidade do Pantanal
A contestação dos moradores do Pantanal expõe a complexidade da Lei nº 13.465/2017 e seu impacto direto no futuro de centenas de famílias em áreas urbanas consolidadas.
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A comunidade do Pantanal, em Aracaju, se viu no epicentro de um impasse social e jurídico que culminou em protestos e bloqueio de vias estratégicas. A insatisfação de moradores que aguardam os títulos de regularização fundiária contrasta com a postura da prefeitura, que alega cumprimento rigoroso da Lei Federal nº 13.465/2017, a REURB. Embora 315 títulos já tenham sido concedidos, a notícia de que nem todos os 539 imóveis cadastrados se qualificam gerou uma onda de revolta, expondo a intrincada malha de burocracia, legislação e as aspirações de segurança habitacional.
O cerne da questão reside na interpretação e aplicação das normas que impedem a titulação para famílias que possuem outras propriedades, têm imóveis comerciais, residem em áreas com litígios judiciais ou em zonas ambientalmente sensíveis. Este cenário não é apenas um fato isolado de Aracaju; ele reverbera a complexidade dos desafios da regularização fundiária em muitas cidades brasileiras.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- Historicamente, grande parte do crescimento urbano brasileiro se deu de forma informal, criando um passivo fundiário significativo em comunidades como o Pantanal.
- A Lei nº 13.465/2017 (REURB) foi criada para simplificar o processo de regularização fundiária, mas seus critérios ainda geram exclusões para imóveis em áreas de risco ambiental, com uso comercial ou onde o proprietário já possui outro imóvel.
- A questão da regularização fundiária em Aracaju é um espelho das dificuldades enfrentadas por muitas capitais nordestinas no balanço entre o direito à moradia, a sustentabilidade ambiental e a organização territorial.