O Ouro Subterrâneo: Como Roraima se Firma como Epicentro da Luta Contra a Mineração Ilegal na Amazônia
As vultosas apreensões recentes revelam a complexa dinâmica de uma rede criminosa que transcende a extração mineral, impactando a soberania, o meio ambiente e a segurança de toda a região.
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A recente marca de mais de meia tonelada de ouro ilegal apreendida pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Brasil entre 2021 e 2025, com um pico alarmante em Roraima nos últimos anos, transcende a mera estatística policial. Este volume sem precedentes sinaliza não apenas a persistência do garimpo ilícito, mas também uma intensificação estratégica na fiscalização que começa a desmantelar complexas rotas de escoamento e lavagem de dinheiro. Roraima, em particular, emergiu como um ponto crucial nessa dinâmica, registrando em 2025 um volume de apreensões (163,69 kg) que superou o total nacional de anos anteriores.
A análise aprofundada indica que a elevação das interceptações é reflexo de um esforço coordenado do Estado, que, ao reforçar a presença na Amazônia Legal através de iniciativas como o Plano Amazônia: Segurança e Soberania, e ao suspender a presunção de boa-fé no comércio do minério, tem exposto a infraestrutura por trás dessa economia subterrânea multimilionária.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- A "presunção da boa-fé" no comércio de ouro foi suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em abril de 2023, exigindo maior rigor fiscal e emissão de notas fiscais eletrônicas, ao mesmo tempo em que o Plano Amazônia: Segurança e Soberania (2023) intensificou o combate a crimes ambientais e organizações criminosas na região.
- Mais de 503 kg de ouro ilegal foram apreendidos pela PRF no Brasil entre 2021 e 2025. Roraima concentrou 187,26 kg nesse período, com um aumento dramático de 1,3 kg (2023) para 163,69 kg (2025), evidenciando uma mudança na dinâmica de fiscalização e nas rotas do crime.
- Roraima é amplamente reconhecida pelas autoridades como uma estratégica "rota de saída" para o escoamento de ouro ilegal extraído de outras áreas da Amazônia para países vizinhos como Venezuela e Guiana, onde a comercialização pode ser facilitada ou menos escrutinada, operando como um hub para a lavagem do minério.