Medidas Protetivas no Rio: Para Além dos Números, o Dilema da Efetividade e as Ferramentas para Salvar Vidas
A análise aprofundada das 14 mil medidas protetivas concedidas no Rio de Janeiro revela um cenário complexo onde a lei avança, mas a segurança real exige proatividade e o conhecimento de recursos menos explorados.
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A concessão de mais de 14 mil medidas protetivas a mulheres no Rio de Janeiro em menos de três meses de 2026 é, à primeira vista, um indicativo da crescente busca por salvaguarda legal contra a violência doméstica. Contudo, essa cifra expressiva esconde um dilema crucial: a ênfase na quantidade ofusca a complexidade da efetividade dessas proteções. Não basta apenas a existência de uma medida; é imperativo que a vítima e o sistema judicial compreendam e apliquem os mecanismos de reforço disponíveis para que o documento se traduza em segurança real.
A legislação, através da Lei Maria da Penha, oferece um arsenal de recursos, mas a informação sobre como intensificá-los — como a solicitação de tornozeleira eletrônica para o agressor ou a disponibilização de botão do pânico para a vítima — permanece uma lacuna no conhecimento de muitas mulheres. É nessa esfera que reside a transformação potencial da vulnerabilidade em empoderamento, permitindo que a própria vítima atue proativamente na mitigação do risco.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) é o marco legal brasileiro que prevê as medidas protetivas de urgência, visando proteger mulheres em situação de violência doméstica e familiar.
- Dados alarmantes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que, no último ano, 12% das vítimas de feminicídio no estado do Rio de Janeiro possuíam medidas protetivas em vigor no momento de suas mortes, sublinhando a falha na efetividade em certos casos.
- A Ronda Maria da Penha, no Rio, exemplifica um esforço regional concreto, tendo realizado 24 mil visitas de acolhimento e mais de 200 conduções de agressores por descumprimento de medidas protetivas em 2025, demonstrando a necessidade de fiscalização ativa e a escala do problema na região.