Lageiro Seco: O Legado de Quase Oito Décadas que Redefine a Cultura Junina na Paraíba
A quadrilha junina de João Pessoa, fundada em 1947, transcende gerações e se prepara para receber um reconhecimento oficial que solidifica sua relevância cultural e socioeconômica.
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A Paraíba, berço de uma das mais vibrantes manifestações culturais do Brasil, o São João, testemunha a contínua relevância de uma de suas joias mais antigas: a quadrilha junina Lageiro Seco. Fundada em João Pessoa em 1947, este grupo não é apenas um espetáculo de dança e cor, mas um verdadeiro pilar da tradição junina nacional, autodeclarando-se a mais antiga em atividade no país, um título ratificado pela Federação das Entidades das Quadrilhas Juninas da Paraíba (Fequajune-PB).
Com quase oito décadas de história, a Lageiro Seco, que hoje conta com 124 participantes, ultrapassou a mera performance, tornando-se um símbolo de inovação e inclusão. Em um período onde as normas sociais ditavam a segregação de gêneros nas festividades, seus fundadores, os irmãos Luiz e Graciano Ferreira da Silva, ousaram romper barreiras, unindo homens e mulheres no mesmo tablado. Esta visão progressista, mantida e ampliada ao longo das gerações, é um testemunho de seu compromisso inabalável com a evolução cultural e social.
A recente partida de Luiz Ferreira da Silva, aos 89 anos, em dezembro de 2025, não encerra um ciclo, mas reafirma a vitalidade de seu legado. As homenagens prestadas nas competições de 2026, onde a quadrilha conquistou o vice-campeonato estadual, são prova de que a memória de seu criador continua a inspirar. Mais do que isso, a Lageiro Seco projeta-se para o futuro, buscando a certificação de "Ponto de Cultura" em 2026, uma iniciativa do Ministério da Cultura que promete elevar seu status e garantir a perpetuação de sua essência para as próximas gerações.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- O São João na Paraíba e em todo o Nordeste é mais que uma festa; é um motor econômico e um pilar de identidade cultural, movimentando bilhões de reais anualmente e atraindo milhões de turistas.
- A busca pela certificação de "Ponto de Cultura" pela Lageiro Seco em 2026 alinha-se a uma tendência nacional de reconhecimento e fomento de iniciativas culturais de base, garantindo apoio institucional e visibilidade.
- A tradição das quadrilhas juninas evoluiu de folguedos populares para espetáculos grandiosos e competitivos, com a Lageiro Seco exemplificando a fusão de raízes históricas com a profissionalização e o espetáculo do movimento.