Justiça Determina Responsabilidade de Bandeiras de Cartão em Calote de Fintech e Eleva Debate Regulatório
A decisão judicial, que ordena o repasse de R$ 49 milhões ao Grupo Tauá após a liquidação da EntrePay, reconfigura o cenário de riscos e obrigações no setor de pagamentos.
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Uma recente decisão da Justiça de São Paulo agitou o mercado de pagamentos no Brasil ao determinar que as principais bandeiras de cartão – Mastercard, Visa, Elo e American Express – depositem em juízo R$ 49 milhões. Este valor é devido ao Grupo Tauá, uma rede hoteleira que era cliente da EntrePay, uma instituição de pagamentos que entrou em liquidação extrajudicial pelo Banco Central em março. O cerne da questão reside na interrupção dos repasses de valores já transacionados e autorizados, mas retidos pela adquirente liquidada.
O juiz Fabio de Souza Pimenta fundamentou sua decisão na compreensão de que as bandeiras exercem controle integral sobre o fluxo financeiro dos arranjos de pagamento, definindo as regras e a liquidação das obrigações entre as instituições. Essa interpretação coloca as bandeiras em uma posição de maior responsabilidade pelos fluxos financeiros, mesmo quando há falhas em outros elos da cadeia. A medida exige que as bandeiras realizem o depósito proporcional em um prazo de cinco dias, embora a decisão ainda seja passível de recurso.
As bandeiras, por sua vez, contestam a determinação, alegando que não detêm os recursos diretamente nem realizam movimentações financeiras no Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). Argumentam que, com a liquidação da EntrePay, a legitimidade para autorizar pagamentos pendentes recai exclusivamente sobre o liquidante nomeado pelo Banco Central. Este embate judicial sublinha a complexidade da estrutura do mercado de pagamentos e a ambiguidade em torno da responsabilidade final em cenários de insolvência de fintechs. A controvérsia se aprofunda com acusações de controle oculto na EntrePay e com um histórico de reclamações de lojistas por atrasos nos repasses, culminando no encerramento de parcerias com bancos como o Nordeste e o Banpará.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- A liquidação da EntrePay pelo Banco Central em 27 de março segue um padrão de intervenção em fintechs com problemas de repasse.
- Em novembro do ano passado, o Banco Central já havia emitido regulamentação reforçando a responsabilidade das bandeiras de arranjos de pagamento pela gestão de riscos.
- O caso ecoa a liquidação do Will Bank, onde a Mastercard também foi acionada para repassar valores retidos, expondo lacunas na definição de responsabilidades.