Reestruturação da Custódia em MS: TJMS Redefine Papel da Polícia Civil e o Futuro da Segurança Pública Regional
Entenda como a decisão judicial de Mato Grosso do Sul, baseada em nova lei federal, recalibra as atribuições policiais e suas profundas implicações para a sociedade.
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A recente deliberação do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), que ratifica a desobrigação da Polícia Civil em manter presos e adolescentes custodiados em delegacias, representa um marco significativo na reorganização da segurança pública estadual. Fundamentada na Lei Federal nº 14.735/2023, a decisão reitera o princípio de que a custódia permanente é atribuição do sistema prisional e da Polícia Penal, liberando a Polícia Civil para focar em sua missão essencial: a investigação criminal. Este movimento não é meramente uma alteração burocrática; ele sinaliza uma transformação estrutural que promete reverberar em diversos níveis da vida cotidiana do cidadão.
A unanimidade da 5ª Câmara Cível do TJMS ao rejeitar o recurso do Governo do Estado sublinha a solidez jurídica da medida. Com um prazo de 180 dias para a adequação, Mato Grosso do Sul inicia um período de transição que exigirá uma sinergia institucional inédita entre as forças de segurança. A manutenção de detidos em delegacias, prática que por décadas desviou recursos e pessoal da Polícia Civil, agora será restrita a situações excepcionais e de tempo estritamente necessário para fins investigativos. Essa mudança, pleiteada pelo Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol/MS), reconhece o esgotamento de um modelo e impulsiona a profissionalização das forças policiais, realinhando-as com suas vocações constitucionais.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- A Lei Federal nº 14.735/2023, que fundamenta a decisão do TJMS, é um marco na redefinição das atribuições das polícias, visando maior especialização e eficiência.
- Historicamente, a sobrecarga de custódia nas delegacias desviava até 30% do efetivo da Polícia Civil, comprometendo a capacidade investigativa e a resolução de crimes em MS.
- A medida se alinha a uma tendência nacional de modernização do sistema de segurança, buscando separar as funções de polícia judiciária e de guarda de detentos, algo já debatido em outros estados brasileiros.