Irã Aprofunda Repressão Interna em Meio à Distração Geopolítica Global
Enquanto os olhos do mundo se fixam nos conflitos regionais e no Estreito de Ormuz, a República Islâmica intensifica a execução de prisioneiros políticos, consolidando um "clima de medo" sem precedentes.
Reprodução
Paradoxalmente, enquanto a atenção global se desvia para os pontos quentes geopolíticos do Oriente Médio, o Irã vivencia uma escalada alarmante e, muitas vezes, silenciosa na repressão interna. Dados recentes da ONG Iran Human Rights revelam um cenário sombrio: o ano de 2025 registrou pelo menos 1.639 execuções, um aumento estarrecedor de 68% em relação ao ano anterior, totalizando uma média de quatro a cinco execuções por dia. Este é o maior número em 35 anos, e uma continuidade do recrudescimento que se iniciou em 2022, após os protestos nacionais "Mulher, Vida, Liberdade".
Desde fevereiro, com a intensificação do que a fonte descreve como a "guerra entre EUA e Israel com o Irã", mais de 4.000 pessoas foram presas sob acusações relacionadas à segurança nacional, e pelo menos 21 delas já foram executadas. Ativistas de direitos humanos alertam que a distração da comunidade internacional com as preocupações geopolíticas, em particular com o Estreito de Ormuz – rota vital para um quarto do petróleo mundial –, concede ao regime iraniano uma margem de manobra para avançar com execuções e prisões políticas, minimizando o custo político externo.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- A escalada da repressão no Irã ganhou força em 2022, após os protestos em massa "Mulher, Vida, Liberdade", marcando um ponto de virada na política interna do país.
- Com 1.639 execuções registradas em 2025, o Irã atingiu o maior índice em 35 anos, representando um aumento de 68% em relação ao ano anterior, média de 4 a 5 execuções diárias.
- A atenção global voltada para a "guerra entre EUA e Israel com o Irã" e a segurança do Estreito de Ormuz permitiu que as violações de direitos humanos no Irã passassem amplamente despercebidas pela comunidade internacional.