Horizonte 2020: A Rota Transnacional da Ciência Brasileira em Cenário de Cortes
Em meio a desafios orçamentários internos, a colaboração com programas europeus de fomento à pesquisa emerge como estratégia crucial para a manutenção da excelência científica nacional e a formação de talentos.
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A excelência científica e a capacidade de inovação raramente se confinam a fronteiras nacionais. Nesse panorama globalizado, o programa Horizonte 2020 (H2020) da União Europeia (UE) emerge como um dos principais motores de pesquisa e desenvolvimento no mundo, com um investimento substancial superior a 80 bilhões de euros.
A realização de um recente workshop na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, para expor as vastas oportunidades do H2020 a cientistas brasileiros, foi um indicativo estratégico. Em um período desafiador, marcado por cortes significativos nas verbas para pesquisa e desenvolvimento no Brasil, o engajamento com iniciativas como o H2020, o projeto EU-LAC Health e a Euraxess – que facilita a mobilidade e o avanço de carreira de pesquisadores – tornou-se uma rota crítica para sustentar a produção científica nacional de alta qualidade.
A Euraxess não só cataloga milhares de oportunidades de trabalho e bolsas na Europa, mas também oferece apoio prático para pesquisadores e suas famílias, facilitando a transição internacional. Esse suporte é inestimável para jovens cientistas que, após experiências em programas como o "Ciência sem Fronteiras", buscam novas plataformas para suas carreiras frente à instabilidade doméstica. As ações Marie Sklodowska Curie (MSCA) da Comissão Europeia, por exemplo, promovem formação de excelência e desenvolvimento de habilidades complementares.
É crucial destacar que essa cooperação é um intercâmbio bilateral. A crescente relevância e qualidade da pesquisa brasileira no cenário global têm atraído o interesse europeu. Projetos como o Incobra, parte do H2020, fortalecem essa sinergia, impulsionando a formação de consórcios e projetos conjuntos em áreas estratégicas como ciências marinhas, energias renováveis, tecnologias da informação e comunicação, agricultura e bioeconomia. Embora a iniciativa de busca por parcerias ainda penda para o lado europeu, o reconhecimento mútuo da importância estratégica dessas colaborações fomenta esforços contínuos para aprofundar os laços científicos e tecnológicos.
Por que isso importa?
Para a sociedade brasileira, o impacto é ainda mais amplo. A manutenção da capacidade de pesquisa, mesmo em tempos de cortes orçamentários, assegura que o Brasil permaneça relevante na resolução de desafios globais e locais, desde o avanço da saúde pública até o desenvolvimento de soluções sustentáveis em energia e agricultura. Essa colaboração transnacional impede uma potencial "paralisia científica" e a intensificação da "fuga de cérebros", transformando-a em "circulação de cérebros", onde talentos retornam com experiência e redes internacionais. Em última análise, a garantia de uma base científica robusta, alimentada por essas parcerias, é fundamental para o desenvolvimento socioeconômico e para a qualidade de vida dos cidadãos, fornecendo o conhecimento necessário para enfrentar o futuro com resiliência e inovação.
Contexto Rápido
- Cortes orçamentários significativos na ciência e educação brasileiras nos últimos anos, impactando pesquisas e programas de fomento.
- O programa Horizonte 2020 (H2020) da União Europeia, o maior programa de financiamento de pesquisa e inovação do mundo, com mais de 80 bilhões de euros.
- Crescente busca por oportunidades internacionais por pesquisadores brasileiros, exacerbada pela redução de investimentos internos e pela experiência prévia em programas de mobilidade como o "Ciência sem Fronteiras".