Rastreamento Secreto: A Escalada do Stalking Digital em São Paulo e Seus Riscos Velados
Dispositivos de baixo custo transformam-se em ferramentas de vigilância clandestina, expondo mulheres a um novo patamar de perseguição e exigindo uma reavaliação da segurança digital e pessoal.
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A metrópole de São Paulo testemunha uma preocupante escalada na criminalidade cibernética, com a proliferação do uso de dispositivos de rastreamento de baixo custo – as "tags" do tamanho de moedas – para perpetrar o crime de perseguição, conhecido como stalking. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo confirmou a tipificação dessa prática insidiosa no artigo 147-A do Código Penal, reforçando a gravidade da situação que ameaça a privacidade e a segurança das mulheres.
Esses pequenos artefatos, facilmente ocultáveis em carros, bolsas ou objetos infantis, permitem o monitoramento em tempo real dos deslocamentos das vítimas, criando um cenário de vigilância constante e invasiva. O aumento nos registros de stalking na 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2025, sinaliza que esta não é uma ocorrência isolada, mas sim uma tendência alarmante. A resposta governamental, que inclui o fortalecimento das DDMs e o aplicativo "SP Mulher Segura" com suas 61 mil usuárias ativas e monitoramento de agressores, busca mitigar o problema, mas a invisibilidade e a acessibilidade desses dispositivos representam um desafio complexo para as forças de segurança e para a própria sociedade.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- A Lei do Stalking (Art. 147-A do Código Penal), que criminaliza a perseguição reiterada, foi implementada em 2021, tornando-se um marco legal essencial para combater essa forma de violência.
- Os registros de stalking na 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) no Cambuci, São Paulo, apresentaram um aumento significativo no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2025, evidenciando uma escalada da prática.
- A facilidade de acesso a dispositivos de rastreamento compactos e de baixo custo (< R$100), aliada à densidade populacional e conectividade de São Paulo, intensifica a vulnerabilidade da população feminina a essa nova modalidade de perseguição digital.