Centrad: A Retomada de um Megaprojeto Abandonado e o Custo da Ineficiência Pública no DF
Após 12 anos como um "elefante branco", a anunciada ocupação do Centro Administrativo de Taguatinga instiga uma análise profunda sobre desperdício, gestão e as expectativas dos contribuintes.
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A recente declaração da governadora do Distrito Federal, Celina Leão, sobre a iminente ocupação do Centro Administrativo (Centrad) em Taguatinga, representa um ponto de inflexão para um dos símbolos mais notórios da ineficiência e do desperdício de recursos públicos na capital. Após mais de uma década de abandono, o complexo de edifícios, concebido para centralizar secretarias e órgãos do GDF, emerge do limbo, prometendo uma "economia" nos aluguéis. Contudo, essa narrativa simplista ignora a complexidade e o custo real de uma obra que deveria ter transformado a administração pública do DF há muito tempo.
O Centrad, cujo valor inicial de contrato por Parceria Público-Privada (PPP) girava em torno de R$ 6 bilhões por 22 anos, com um investimento alegado pelas construtoras de R$ 1,5 bilhão, transformou-se em um fardo financeiro e moral. Ao invés de centralizar e otimizar, o projeto gerou um intrincado emaranhado de litígios judiciais, acusações de corrupção — inclusive com menções na Operação Lava Jato — e uma perpetuação de gastos com segurança para um patrimônio ocioso. A decisão de finalmente utilizá-lo, começando pela Secretaria de Obras e Infraestrutura, pode ser vista como um esforço para reverter um erro histórico, mas a sombra de gastos não detalhados com a adequação e mobiliário de uma estrutura deteriorada pelo tempo e abandono permanece.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- O Centrad foi "inaugurado" em 2014 pelo então governador Agnelo Queiroz no último dia de seu mandato, sem estar apto à ocupação, gerando impasses jurídicos e a recusa do Ministério Público em fornecer o Habite-se.
- Ao longo de 12 anos, o complexo de R$ 6 bilhões representou um custo contínuo para o GDF, que assumiu a segurança do local após a anulação da PPP em 2022, enquanto as empresas alegam ter investido R$ 1,5 bilhão sem retorno.
- A promessa de economia com aluguéis, embora válida em tese, deve ser ponderada contra o histórico de paralisação e os custos inerentes à ativação de um espaço subutilizado, questionando o real benefício fiscal para os cidadãos do Distrito Federal.