Governadores Mantêm ICMS sobre Combustíveis: A Complexa Trama por Trás dos Preços e Serviços Públicos
A decisão dos estados em não reduzir o imposto estadual expõe um profundo dilema fiscal e levanta questões críticas sobre o real benefício das desonerações para o consumidor final, em meio a uma escalada global dos preços do petróleo.
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Em um movimento que reverberará diretamente no dia a dia dos brasileiros, o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados (Comsefaz) anunciou a manutenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre os combustíveis. A justificativa dos governadores é multifacetada e revela a complexidade da gestão fiscal em um país de dimensões continentais.
Os estados argumentam que uma redução do ICMS prejudicaria severamente o financiamento de políticas públicas essenciais, como saúde, educação, segurança e infraestrutura. Além disso, citam a histórica ineficácia de cortes tributários em serem integralmente repassados ao consumidor final, com a cadeia de distribuição frequentemente absorvendo parte relevante do benefício. Essa análise, embasada inclusive em estudos do Instituto de Pesquisa em Petróleo, Gás e Biocombustíveis (Ineep), aponta para uma “dupla perda” para o cidadão: o preço nas bombas não cairia na proporção esperada, enquanto os serviços públicos, já sobrecarregados, perderiam valiosos recursos.
A decisão contrasta com a iniciativa federal de desonerar PIS e Cofins sobre o diesel, uma medida que, segundo o governo, seria compensada pelo aumento do imposto de exportação de petróleo. Este embate federativo ocorre em um momento de extrema volatilidade no mercado global de energia, impulsionado pela guerra no Oriente Médio e a subsequente disparada do preço do petróleo, que já ultrapassa os US$ 100 por barril.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- O governo federal, em face da tensão no Oriente Médio e da pressão sobre os preços do petróleo, desonerou PIS e Cofins sobre o diesel, buscando aliviar o custo dos combustíveis.
- A instabilidade geopolítica recente, especialmente o conflito no Oriente Médio e as tensões no Estreito de Ormuz, impulsionou o preço do barril de petróleo acima de US$ 100, um aumento significativo em poucos meses.
- Estudos recentes, como os do Ineep, apontam uma tendência histórica no Brasil de absorção de desonerações tributárias por intermediários da cadeia de distribuição, limitando o impacto direto no preço final para o consumidor.