O Paradoxo da Sabesp Pós-Privatização: Menos Multas, Mais Queixas Internas e o Impacto Silencioso nas Ruas de São Paulo
A gestão municipal de Ricardo Nunes adota discrição nas sanções oficiais à concessionária, mas intensifica a pressão nos bastidores, levantando dúvidas sobre a fiscalização de um serviço essencial.
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A privatização de serviços essenciais como o saneamento básico frequentemente promete eficiência e melhoria da infraestrutura. Contudo, em São Paulo, o cenário pós-privatização da Sabesp revela uma dinâmica complexa e por vezes paradoxal. Desde que a concessionária passou para a gestão privada em julho de 2024, a prefeitura de Ricardo Nunes implementou uma drástica redução no volume de multas aplicadas por infrações. Essa diminuição, contudo, não reflete uma melhora imediata nos serviços ou uma relação de plena harmonia. Pelo contrário, nos bastidores do poder municipal, o volume de queixas e a pressão sobre a Sabesp persistem, adotando um tom de discrição que contrasta com a postura pública em relação a outras concessionárias.
A natureza das infrações continua a ser a mesma: buracos na pavimentação, crateras e recomposições asfálticas de baixa qualidade, resultado direto de obras de infraestrutura da empresa. Este silêncio oficial, enquanto a insatisfação interna cresce, levanta questões cruciais sobre a eficácia da fiscalização e o real impacto da privatização na qualidade de vida do paulistano, especialmente em regiões mais vulneráveis da cidade.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- O debate sobre a privatização de empresas estatais, especialmente no setor de saneamento, tem sido uma constante na agenda política e econômica brasileira nas últimas décadas, com promessas de maior investimento e eficiência.
- Dados oficiais mostram que, enquanto em 2024 foram aplicadas 3.568 multas à Sabesp, totalizando R$ 263,2 milhões, em 2025, após a privatização, esse número caiu para 1.340 multas, somando R$ 67,2 milhões — uma redução de aproximadamente 62% no volume e 74% no valor.
- A manutenção da qualidade da infraestrutura urbana, como a pavimentação de ruas, é fundamental para a mobilidade, segurança e economia das cidades, sendo um indicador direto da eficácia da gestão pública e das concessionárias.