Tendências
Escala 6x1: fim da escala pode fechar até 1,2 milhão de vagas
Revistaoeste
Proposto por Erika Hilton (Psol-SP), parlamentar trans, o projeto que estabelece o fim da escala 6×1 pode resultar no fechamento de até 1,2 milhão de vagas formais no país. A conclusão é de um estudo obtido em primeira mão pela coluna, que será apresentado nesta terça-feira, 3, pela frente do agro, durante almoço com jornalistas.
O material reúne projeções das confederações da Agricultura e Pecuária do Brasil e da Confederação Nacional da Indústria, além da Organização das Cooperativas Brasileiras, da FecomercioSP e da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras.
De acordo com o levantamento, a mudança elevaria o custo da hora trabalhada em 22%, com impacto anual de cerca de R$ 230 bilhões, o equivalente a quase 2% do Produto Interno Bruto (PIB).
O cálculo considera salários e encargos sociais, além da necessidade de novas contratações para manter o nível de produção.
A estimativa analisou os efeitos da medida, principalmente, no comércio e nos serviços, setores que empregam muita gente e operam com margens de lucro menores.
Conforme o relatório, empresas desses setores teriam dificuldade para absorver o aumento de custos sem reduzir postos formais.
+ Veja mais notas exclusivas e de bastidor na coluna No Ponto
O material também reúne dados da indústria e do agronegócio.
No setor sucroenergético, por exemplo, a redução para 36 horas exigiria até 156 mil novas contratações para manter o volume de produção, com custo adicional anual entre R$ 10 bilhões e R$ 12 bilhões.
Em um cenário de 40 horas semanais, seriam necessárias 65 mil admissões adicionais.
Segundo as entidades produtoras, caso as empresas optem por não expandir o quadro de funcionários, o ajuste poderia ocorrer pela redução de produção, automação, adiamento de investimentos ou encerramento de unidades menos eficientes.
Nesse contexto, a pesquisa aponta risco de perda de competitividade, sobretudo em cadeias exportadoras.
O dossiê sustenta que eventuais mudanças na jornada deveriam ser precedidas de transição gradual e negociação coletiva, a fim de mitigar impactos sobre emprego, preços e investimento.
Leia também: “Argentina e Brasil confrontam realidades e futuros”, artigo publicado na Edição 311 da Revista Oeste
A coluna No Ponto analisa e traz informações diárias sobre tudo o que acontece nos bastidores do poder no Brasil e que podem influenciar nos rumos da política e da economia. Para envio de sugestões de pautas e reportagens, entre em contato com a nossa equipe pelo e-mail noponto@revistaoeste.com.
Entre ou assine para enviar um comentário.
Fonte:
Revistaoeste