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Ex-cabeleireiro de 69 anos realiza sonho de estudar medicina no Paraguai

Ex-cabeleireiro de 69 anos realiza sonho de estudar medicina no Paraguai Reprodução
Cleones Silveira, de 69 anos, é ex-cabeleireiro e estuda medicina em Cidade do Leste, no Paraguai. Cleones concluiu o ensino médio pelo EJA e decidiu usar as notas para realizar um sonho que parecia impossível. Ele deixou uma carreira de 45 anos como cabeleireiro, a esposa e os filhos e mudou-se sozinho para outro país. Aos 69 anos, o Cleones Silveira estuda medicina em Cidade do Leste, cidade paraguaia que faz fronteira com Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná. Ele concluiu o ensino médio pelo programa Educação de Jovens e Adultos (EJA) e decidiu usar as notas para realizar um sonho que, segundo ele, parecia impossível. “Nunca é tarde para aprender. Enquanto a gente está vivo, dá para recomeçar”, diz. Cleones vive e estuda em Cidade do Leste há cerca de dois anos. Ele deixou uma carreira de 45 anos como cabeleireiro e se mudou sozinho para outro país. "Essa é a parte mais difícil para mim, minha família não pode vir de forma definitiva", conta. ✅ Siga o g1 Foz do Iguaçu e região no WhatsApp Além de Cleones, milhares de brasileiros buscam estudar medicina no Paraguai. Só em 2025, mais de 12 mil solicitaram visto de estudante. Segundo a Direção Nacional de Migrações do país, nos últimos cinco anos, mais de 43 mil brasileiros obtiveram autorização para estudar no Paraguai, sendo 32.745 vistos temporários e 10.481 permanentes. Conflito agrário: Após 30 anos, acordo põe fim a conflito agrário histórico registrado por Sebastião SalgadoConcurso: Subsidiária da Petrobras no Paraná divulga concurso público com 126 vagasMega-Sena: Sete apostas do Paraná acertam a quina e ganham prêmios na Mega-Sena Início dos estudos aos 64 O ex-cabeleireiro conta que começou a trabalhar muito cedo e, por isso, não conseguiu estudar durante a infância e a juventude. A sala de aula só passou a fazer parte da sua rotina aos 64 anos. “Eu não estudei praticamente nada na vida. Tudo o que eu vejo hoje é novidade. Posso dizer que estou estudando de verdade pela primeira vez agora”, conta. O incentivo para retomar os estudos veio da família. Aos 64 anos, motivado pela esposa e pelos filhos, Cleones decidiu concluir o ensino médio pelo programa Educação de Jovens e Adultos (EJA). Três anos depois, com boas notas, conseguiu se matricular no curso de medicina. "Nunca sonhei em ser médico. Era impossível pensar em algo dessa dimensão. Mas comecei a refletir: minha vida inteira cuidei das pessoas por meio do meu trabalho. Por que não continuar cuidando, agora de outra forma?", relembra. Sonho começa a se tornar realidade A vontade de se tornar médico foi reforçada pela convivência diária com médicos, clientes frequentes de seu salão. Além disso, acompanhou de perto a rotina da enteada, que se preparava para o vestibular de medicina e hoje estuda na Universidade de São Paulo (USP). Durante três anos, frequentou faculdades, assistiu a documentários e se aproximou da área da saúde. Sem condições de pagar uma faculdade particular no Brasil, Cleones pesquisou alternativas fora do país. Visitou opções na Bolívia, na Argentina e no Paraguai, mas escolheu Cidade do Leste para estudar. Aos 67 anos, fez a matrícula, vendeu o salão, se aposentou e mudou-se sozinho para iniciar a graduação. “Foi um corte radical. Passei meus clientes para minha filha e para meu sobrinho, escrevi uma carta de despedida e vim. A parte mais difícil é ficar longe da família”, afirma. Rotina intensa e desafios na sala de aula Hoje no quarto semestre, Cleones enfrenta uma rotina intensa, com aulas em período integral, provas e conteúdos em espanhol. Apesar das dificuldades, diz estar satisfeito com os avanços e aprendizados diários. “No primeiro semestre, fiz oito recuperações. No segundo, mais oito. No terceiro, apenas três. Estou melhorando. Medicina não é para o mais inteligente, é para o mais persistente. É uma maratona”, diz. Na convivência com colegas bem mais jovens, Cleones diz ter sido acolhido desde o início. “Acho que sou o mais velho da faculdade inteira, até entre os professores. Mas fui muito bem recebido. Participo dos grupos, faço trabalhos e até oração antes das provas, quando o pessoal está nervoso”, conta. História que viralizou A história de Cleones ganhou repercussão nas redes sociais após a publicação de uma foto com o uniforme da faculdade. A imagem ultrapassou dois milhões de visualizações, e seu perfil soma mais de 30 mil seguidores. Hoje, recebe mensagens de adultos e idosos de várias partes do Brasil. Muitos dizem que pensam em retomar os estudos e pedem dicas. “Comecei sem pretensão nenhuma. Nunca fui ligado em redes sociais. Mas percebi que minha história poderia incentivar outras pessoas”, conta. Após concluir o curso, Cleones pretende prestar o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida), necessário para que médicos formados no exterior possam atuar no Brasil. O plano é atuar com atendimento humanizado, especialmente voltado a populações vulneráveis. "Não faz sentido começar medicina nessa idade pensando em dinheiro. Quero ajudar pessoas. Se eu conseguir ajudar uma pessoa por dia, já valeu a pena", diz. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Oeste e Sudoeste. Ex-cabeleireiro de 69 anos realiza sonho de estudar medicina no Paraguai Cleones tem 69 anos e diz ser o alunos mais velho da faculdade — Foto: Arquivo pessoal Idoso afirma não sofrer preconceito dos colegas em sala — Foto: Arquivo pessoal Cleones se reúne com colegas da faculdade — Foto: Arquivo pessoal Os registros de Cleones nas redes sociais viralizaram — Foto: Arquivo pessoal Por Mayala Fernandes, g1 PR 03/03/2026 07h14 Atualizado 03/03/2026 De segunda a sábado, as notícias que você não pode perder diretamente no seu e-mail. Para se inscrever, entre ou crie uma conta Globo gratuita. SIGA: Israel diz ter bombardeado sede do Conselho de Segurança do Irã Trump admite falta de 'armamento de ponta' e fala em 'guerra para sempre' O ASSUNTO: a guerra no Oriente Médio e o futuro do regime iraniano Escalada nuclear pode ser fatal para a humanidade, diz especialista Flamengo demite técnico Filipe Luís após golear Madureira por 8 a 0 Peritos encontram marcas de sangue em box de banheiro de PM morta Descoberta pode mudar os rumos da investigação. Seu carro bebe muito? Veja o consumo de todos os veículos zero km Brasil NÃO vendeu urânio ao Irã; mensagens falsas voltam a circular
Fonte: G1 - Paraná

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