Europa Redefine Estupro: O 'Sim é Sim' Se Torna Padrão Legal na União Europeia
Aprovada por ampla maioria, a diretriz estabelece o consentimento explícito como pilar central, prometendo reverberar na segurança e nos direitos das mulheres em todo o bloco.
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Em um marco histórico para os direitos das mulheres e a justiça na Europa, o Parlamento Europeu aprovou, em 28 de abril de 2026, uma definição comum de estupro para todos os 27 estados-membros, baseada no princípio do "somente sim significa sim". Esta decisão, tomada por uma ampla maioria de 447 votos a favor e 160 contra, representa um avanço significativo na harmonização das leis criminais em um tema sensível e de impacto social profundo.
Até então, as definições legais de estupro variavam consideravelmente entre os países da UE, criando um mosaico de abordagens que iam desde a exigência de força física por parte do agressor até o modelo "não significa não", onde a recusa explícita da vítima era o fator determinante. O novo padrão adota o modelo mais progressista, onde qualquer ato sexual sem consentimento explícito e voluntário é considerado estupro. A iniciativa visa garantir que a ausência de consentimento seja o fator decisivo, e não a necessidade de a vítima provar que resistiu ou sofreu lesões. Esta mudança é crucial para alterar o paradigma legal e social em torno da violência sexual, focando na autonomia corporal da pessoa.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- Aproximadamente metade das mulheres na União Europeia já sofreu assédio sexual pelo menos uma vez desde os 15 anos de idade, evidenciando a urgência de medidas protetivas.
- A decisão sucede a adesão da UE à Convenção de Istambul em outubro de 2023 e a diretriz de 2024 que criminaliza o assédio sexual no trabalho e a violência digital, indicando uma tendência crescente de proteção.
- Uma tentativa anterior de padronizar a definição de estupro em 2024 falhou, em parte devido a preocupações de soberania nacional, mostrando a complexidade política superada nesta recente aprovação.