Decreto do Marco Civil: A Ampliação do Poder da AGU e os Riscos à Liberdade Digital
A recente regulamentação via decreto do Marco Civil da Internet confere à Advocacia-Geral da União (AGU) prerrogativas ampliadas sobre a moderação de conteúdo, levantando questionamentos cruciais sobre os limites da intervenção estatal no ambiente digital brasileiro.
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Em um movimento que reacende o debate sobre a governança da internet no Brasil, o governo federal editou um decreto regulamentando aspectos do Marco Civil da Internet. A medida, que visa fortalecer a fiscalização das plataformas digitais, particularmente em relação à publicidade de políticas públicas, atribui à Advocacia-Geral da União (AGU) um papel significativamente expandido. O advogado-geral da União, Jorge Messias, passa a ter a prerrogativa de acionar plataformas para remover conteúdo que considere enganoso, abusivo ou fraudulento sobre políticas governamentais.
A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) também ganha mais responsabilidades de fiscalização, mas é a capacidade da AGU de demandar a remoção de conteúdo que tem gerado maior apreensão. Setores políticos e as próprias "big techs" veem essa movimentação como a concessão de um "superpoder" discricionário, temendo que o governo possa, por meio de decreto, influenciar a narrativa online e silenciar críticas, contornando o processo legislativo. A controvérsia já escalou ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde as grandes empresas de tecnologia questionam a constitucionalidade da medida.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- O Marco Civil da Internet, promulgado em 2014, é considerado um dos arcabouços legais mais avançados do mundo para a internet, focado na neutralidade de rede, liberdade de expressão e privacidade.
- Com mais de 160 milhões de usuários ativos em redes sociais no Brasil, o país se posiciona como um dos mercados digitais mais influentes e, consequentemente, um epicentro do debate global sobre desinformação e regulação de plataformas.
- A crescente polarização política e a disseminação de notícias falsas têm impulsionado governos em todo o mundo a buscar mecanismos para regular o ambiente digital, levantando tensões entre a necessidade de combater ilícitos e o risco de censura estatal.