A Ressonância de 50 Anos: Mulheres da Periferia de SP e o Legado da Organização Popular contra a Carestia
Cinquenta anos após a Assembleia do Povo, a mobilização feminina da Zona Sul de São Paulo ilumina os caminhos da resistência cívica e a urgência de uma democracia participativa no enfrentamento das crises atuais.
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Neste sábado, o Colégio Santa Maria, instituição tradicional na Zona Sul de São Paulo, revisita seu papel como palco de resistência. Cinquenta anos após abrigar a histórica Assembleia do Povo, evento crucial do Movimento do Custo de Vida (MCV) em plena ditadura militar, o local sedia um ato comemorativo que transcende a mera celebração. É um reencontro com o "porquê" e o "como" a organização popular pode moldar o destino de uma comunidade e, por extensão, de uma nação.
O MCV, protagonizado por mulheres, em sua maioria negras e donas de casa das periferias paulistanas, não foi apenas um grito contra a escalada inflacionária da época. Foi um movimento que desafiou a narrativa oficial da ditadura, que ignorava as dificuldades cotidianas enfrentadas pela população. A coragem dessas mulheres, que se organizaram em comunidades eclesiais de base para pesquisar, denunciar e mobilizar, revela uma faceta da resistência muitas vezes negligenciada.
O ato de hoje não é apenas uma homenagem ao passado; é um convite à compreensão do presente. Ao resgatar a memória de uma mobilização que reuniu cerca de 5 mil pessoas em 1976 para discutir a carestia e a falta de serviços básicos, o evento nos força a confrontar os desafios persistentes da sociedade brasileira. A luta por moradia digna, saneamento, transporte e alimentos a preços acessíveis, temas centrais do MCV, ressoa com urgência nas manchetes atuais, reafirmando que o passado, quando bem compreendido, é um farol para a ação futura.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- A Assembleia do Povo, realizada em 1976 no Colégio Santa Maria, reuniu cerca de 5 mil pessoas e marcou um dos ápices do Movimento do Custo de Vida (MCV), uma frente de resistência popular à ditadura militar organizada por mulheres da periferia de São Paulo.
- Atualmente, o Brasil enfrenta um cenário de inflação persistente em itens essenciais e desigualdade social crescente. Dados do IBGE mostram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tem pressionado o poder de compra das famílias, especialmente as de baixa renda, em um eco das preocupações de 50 anos atrás. A polarização política e o individualismo, apontados por lideranças do evento, também são desafios contemporâneos à coesão social.
- A Zona Sul de São Paulo, berço do MCV em bairros como Jardim Ângela e M'Boi Mirim, continua sendo um epicentro de mobilizações sociais e uma região que demanda atenção contínua em termos de políticas públicas e inclusão social, reforçando a relevância histórica e atual da articulação comunitária.