O Paradoxo da Riqueza Brasileira: Mais Milionários em Meio à Persistente Desigualdade e Endividamento Recorde
Enquanto o Brasil celebra o crescimento de sua elite milionária, um olhar aprofundado revela a estagnação da riqueza média e os desafios da concentração que impactam a economia de todos.
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A recente divulgação do Global Wealth Report 2026, elaborado pelo banco UBS, apresenta um panorama da riqueza brasileira que, à primeira vista, pode parecer um indicativo de prosperidade. O país adicionou 9.215 novos milionários em 2025, elevando o total para 386 mil indivíduos com patrimônio superior a US$ 1 milhão, solidificando sua posição como líder em número de milionários na América Latina.
Contudo, uma análise mais minuciosa das métricas revela uma realidade complexa e desafiadora. Apesar do aumento na população de alta renda, o Brasil mantém-se firmemente entre as nações com maior concentração de riqueza global, ocupando a 4ª posição entre 56 mercados avaliados, com um Coeficiente de Gini alarmante de 0,81. Este índice, que se aproxima de 1, escancara que uma parcela diminuta da população detém a vasta maioria do patrimônio nacional.
Em nítido contraste, o estudo aponta que cerca de 69% dos adultos brasileiros possuem um patrimônio inferior a US$ 10 mil, permanecendo na base da pirâmide global da riqueza. Enquanto isso, a fortuna coletiva dos bilionários nacionais experimentou um avanço superior a 50% em 2025. Paradoxalmente, a riqueza média por adulto no Brasil experimentou uma queda real de 3,13% desde 2020, quando ajustada pela inflação e convertida para moeda local. Some-se a isso o elevado nível de endividamento, representando 23,4% da riqueza bruta, uma das maiores proporções entre os países analisados.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- Historicamente, o Brasil tem lutado contra profundas raízes de desigualdade social e econômica, com a concentração de terras e renda sendo um problema secular.
- O Coeficiente de Gini de 0,81 posiciona o Brasil lado a lado com a África do Sul e logo abaixo de Rússia e Emirados Árabes Unidos no ranking de desigualdade de riqueza, em um cenário global onde a riqueza pessoal cresceu 10,8% em 2025, mas de forma desequilibrada.
- A persistência da desigualdade, mesmo com o aumento do número de milionários, sugere que as políticas econômicas e o ambiente de negócios favorecem uma acumulação de capital concentrada, com limitada capilaridade para as camadas mais amplas da sociedade.