Brasil Se Ausenta de Seminário Nuclear Estratégico e Sinais Geopolíticos Preocupam
A decisão do governo brasileiro de não participar do evento FIRST, focado em reatores modulares pequenos (SMRs), levanta questionamentos sobre sua estratégia energética e alinhamentos internacionais.
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O cenário da energia nuclear mundial, impulsionado pela busca por soluções energéticas mais limpas e descentralizadas, viu o Brasil sob a gestão Lula da Silva declinar um convite dos Estados Unidos para um seminário estratégico. O evento, denominado FIRST (Infraestrutura Fundamental para o Uso Responsável da Tecnologia de Reatores Modulares Pequenos), reuniu na Argentina uma dezena de países latino-americanos, além de especialistas do Canadá, Japão e Reino Unido, com foco na cooperação para o desenvolvimento e implantação dos reatores modulares pequenos (SMRs).
Oficialmente, o Itamaraty justificou a ausência brasileira pela "exiguidade do prazo" e outras "atividades internacionais" concomitantes, reiterando a inexistência de histórico de participação em edições anteriores do FIRST. Contudo, essa explicação coexiste com o conhecido interesse do Brasil na tecnologia dos SMRs, evidenciado por conversas com a Rússia no ano anterior, o que sugere uma complexidade maior por trás da decisão. Os SMRs, por sua vez, representam uma revolução potencial, oferecendo geração de energia atômica compacta e segura, ideal para regiões de difícil acesso como a Amazônia.
Por que isso importa?
Segundo, sob a ótica da política externa e econômica: a decisão, apesar das justificativas oficiais, ocorre em um momento em que a diplomacia brasileira busca um reposicionamento no cenário global, alternando entre a proximidade com blocos ocidentais e a aproximação com economias emergentes e potências como a Rússia e a China. A percepção de que o Brasil está se distanciando de iniciativas lideradas pelos EUA, especialmente quando o chefe da diplomacia americana já o classificou como não 'amigável', pode ter ramificações em investimentos, acordos comerciais e na construção de confiança mútua. Perder a oportunidade de dialogar sobre uma tecnologia transformadora com múltiplos atores globais pode significar atrasos no acesso a know-how, potenciais barreiras comerciais ou mesmo custos mais elevados para a implantação de seus próprios projetos de SMRs no futuro, impactando diretamente o desenvolvimento tecnológico e a competitividade do Brasil no setor.
Contexto Rápido
- O Brasil possui um programa nuclear civil consolidado, mas sua expansão tem sido lenta, com Angra 3 em obras há décadas. A busca por SMRs reflete uma tendência global de descentralização e flexibilidade energética.
- Dados da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) indicam um crescimento no interesse global por SMRs, com dezenas de projetos em desenvolvimento, visando segurança energética e descarbonização, representando um mercado bilionário.
- A iniciativa FIRST dos EUA insere-se em uma estratégia mais ampla de Washington para fortalecer parcerias em tecnologia nuclear civil com nações alinhadas, especialmente em um contexto de crescente competição geopolítica com a Rússia e a China pela influência em infraestrutura energética global.