Dilema da Segurança Pública: Avanço nos Homicídios Gerais Contrapõe-se à Alta Recorde de Feminicídios no Brasil
Enquanto o país celebra metas de redução de mortes violentas, o crescimento alarmante da violência de gênero revela lacunas profundas nas políticas de proteção e na estrutura social.
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O Brasil alcançou em 2025 uma marca significativa na sua política de segurança pública, atingindo a meta de redução de homicídios dolosos prevista para 2027. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública revelou uma taxa de 15,1 mortes por 100 mil habitantes, abaixo da projeção de 16. Esse feito é parte de uma tendência de queda nas mortes violentas intencionais, que recuaram 8% no último ano, chegando ao menor patamar desde 2012, com 40.775 ocorrências em todo o país. Uma conquista que poderia ser plenamente comemorada, não fosse pelo contraponto dramático que os mesmos dados apresentaram.
Em sentido oposto a essa redução geral, os feminicídios bateram um recorde preocupante em 2025, com 1.571 casos registrados – um aumento de 4% em relação ao ano anterior. Isso significa que, em média, quatro mulheres foram assassinadas por dia no Brasil por razões de gênero. Este é o maior número desde a tipificação do crime em 2015, e é corroborado por um crescimento em outros indicadores de violência doméstica, como stalking, violência psicológica e descumprimento de medidas protetivas. A análise desses dados sugere que, embora o Estado tenha avançado na contenção da criminalidade geral, a batalha contra a violência de gênero ainda enfrenta obstáculos estruturais e culturais imensos, demandando uma abordagem multifacetada e urgente.
Por que isso importa?
O "como" isso afeta o leitor se manifesta em diversas esferas. Para as mulheres, e para a sociedade como um todo, o aumento do feminicídio sinaliza um ambiente de vulnerabilidade persistente, exigindo que o debate político vá além das métricas quantitativas de segurança. Questiona-se a efetividade das leis de proteção, a capacitação das forças policiais, o suporte psicossocial às vítimas e a urgência de campanhas de conscientização que desconstruam a cultura de violência contra a mulher. As políticas públicas precisam ser reavaliadas: são os recursos suficientes? A articulação entre os diferentes órgãos de segurança e assistência funciona? Para o eleitor, esses dados se tornam um balizador crítico na avaliação de candidatos e propostas, exigindo que a segurança pública seja abordada não apenas sob a ótica da contenção da criminalidade generalizada, mas também sob a lupa da proteção dos grupos mais vulneráveis, em especial as mulheres. A percepção de progresso é diluída pela urgência de uma crise que se agrava silenciosamente nos lares brasileiros, impactando a confiança nas instituições e a própria coesão social.
Contexto Rápido
- O Plano Nacional de Segurança Pública de 2021 estabeleceu metas ambiciosas para a redução de homicídios, refletindo um compromisso governamental em conter a violência generalizada.
- A trajetória de queda nas mortes violentas intencionais é observada desde 2018, consolidando uma tendência que, no entanto, não se aplica de forma homogênea a todos os tipos de crime.
- A persistência e o agravamento da violência de gênero, particularmente os feminicídios, colocam em xeque a eficácia das políticas de proteção às mulheres e revelam uma face da violência que transcende as estatísticas gerais de segurança.