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Ataques de Israel contra o Líbano matam 217; Beirute tenta reduzir influência do Hezbollah

Ataques de Israel contra o Líbano matam 217; Beirute tenta reduzir influência do Hezbollah Reprodução
benefício do assinante Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler. Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha. Recurso exclusivo para assinantes assine ou faça login Durante grande parte de 2025, o governo do Líbano caminhou na corda bamba em suas relações com o Hezbollah, grupo armado apoiado pelo Irã, enquanto buscava desarmar a milícia e reduzir sua influência na política libanesa. Agora, com o Líbano enfrentando um conflito em rápida escalada entre o Hezbollah e Israel, o país aguarda para ver se o governo aproveitará este momento para tomar medidas decisivas contra o Hezbollah —e como o grupo responderá. Desde segunda-feira (2), ao menos 217 pessoas morreram no Líbano em decorrência dos ataques israelenses, segundo autoridades libanesas. Outras 798 pessoas ficaram feridas, e o registro de deslocados varia entre 95 mil e 300 mil, cifra informada pelo Conselho Norueguês de Refugiados. Durante a noite de quinta-feira (5), o exército israelense bombardeou o Hezbollah no sul de Beirute e as explosões puderam ser ouvidas por toda a cidade. O bombardeio deslocou milhares de pessoas dessa área densamente povoada, que passaram a noite nas ruas do centro da capital. "Este é o ponto de virada", disse Sami Nader, diretor do Instituto de Ciência Política da Universidade Saint Joseph de Beirute. "Ou temos o cenário sombrio em que o exército entra em confronto com o Hezbollah e há conflito civil, ou o Hezbollah acata a decisão do governo e se desarma." Quando se trata do Hezbollah, as autoridades libanesas tiveram que manter um equilíbrio delicado em 2025: atender às demandas dos Estados Unidos e de outros aliados para agir rápida e decisivamente contra o grupo, ao mesmo tempo em que procediam com cautela para evitar confrontos entre soldados libaneses e combatentes do Hezbollah. Esse cenário, muitos temem, poderia desencadear uma guerra civil. Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Quando o Hezbollah começou a disparar contra Israel nesta semana em retaliação à morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, esse cálculo pareceu desmoronar. Na segunda, o governo libanês atacou duramente o Hezbollah, declarando suas atividades militares ilegais e efetivamente designando aquela que já foi a força mais poderosa do país como fora da lei. O Hezbollah respondeu com um aviso velado de que poderia provocar conflitos internos. Um governo fraco "deveria se abster de criar problemas internos adicionais que poderiam inflamar ainda mais o estado de tensão e agitação", disse Mohammad Raad, um alto funcionário do Hezbollah, em comunicado. Em resposta, autoridades do governo dobraram a aposta, anunciando na quinta que reprimiria quaisquer membros da Guarda Revolucionária do Irã que estivessem no Líbano e os deportaria. Uma guerra de um ano entre o Hezbollah e Israel eclodiu quando o grupo lançou foguetes contra posições israelenses em outubro de 2023. O ataque foi em solidariedade ao palestino Hamas, também apoiado pelo Irã, que liderou um atentado contra Israel naquele mesmo mês. Israel respondeu com uma série de bombardeios que deixaram grande parte do Líbano e do Hezbollah devastados, até chegar a um cessar-fogo em novembro de 2024. Muitos analistas dizem que, após essa guerra, membros da Guarda Revolucionária iraniana preencheram as fileiras esgotadas do Hezbollah no Líbano e assumiram grande parte das decisões militares do grupo. As Forças Armadas Libanesas também anunciaram nesta semana que detiveram 26 cidadãos libaneses em postos de controle do exército "por posse ilegal de armas e munições". Embora o comunicado não tenha mencionado o Hezbollah, sugeriu que o exército estava avançando com a implementação da decisão do governo. Em meio às novas batalhas com Israel, a tensão política dentro do Líbano também está explodindo. A fragmentada mistura política e social libanesa inclui muçulmanos xiitas e sunitas, cristãos de várias denominações e drusos. Esses grupos populacionais lutaram uns contra os outros em uma sangrenta guerra civil de 15 anos. Dentro do Estado libanês, essas facções e seitas há muito disputam poder e influência, mas, nas últimas duas décadas, o Hezbollah prevaleceu acima de todos como a força militar e política dominante do país. Após o frágil cessar-fogo de 2024, as areias políticas no Líbano começaram a se mover. O conflito custou ao grupo grande parte de seu arsenal e dizimou suas fileiras militares. A frustração cresceu entre sua base de apoio predominantemente muçulmana xiita, muitos dos quais foram deslocados durante a guerra. O Estado aproveitou esse momento como uma oportunidade. Com o Hezbollah em desvantagem, o parlamento do Líbano superou anos de impasse político que críticos atribuíam ao grupo e formou um novo governo. O ímpeto cresceu para desarmar o Hezbollah e refazer o equilíbrio de poder em um país onde muitos acreditavam que o governo havia sido efetivamente sequestrado pelo grupo apoiado pelo Irã. A decisão do governo na segunda-feira "mostra claramente quanto terreno eles [do Hezbollah] perderam e quanto do apoio que costumavam ter eles perderam", disse Paul Salem, pesquisador sênior do Middle East Institute, com sede em Washington. "É uma linha muito importante para o Estado", acrescentou. Ainda assim, permanece incerto se a decisão do governo de declarar as atividades militares do Hezbollah ilegais equivale a postura política ou levará as Forças Armadas Libanesas a tomar ações mais agressivas contra o Hezbollah. Ao longo do último ano, o Hezbollah permitiu que o governo avançasse com seus planos de desarmamento "e não usou sua força militar para entrar em confronto com eles", disse Salem. "A questão agora é: se encurralado entre Israel e o governo libanês, essa estratégia mudaria?", disse ele. "Eles diriam que dane-se e fomentariam sérios problemas internos, que é um cenário que todos temiam?" Leia tudo sobre o tema e siga: Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas (conheça aqui). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado! Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. 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Fonte: Folha - Mundo

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