Argentina: A Complexa Redução da Pobreza em Meio a um Cenário de Desafios Econômicos
Novos dados apontam para uma diminuição da pobreza, mas a análise aprofundada revela um crescimento do PIB concentrado e a persistência de um consumo fraco e alto desemprego.
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A Argentina, sob a gestão ultraliberal de Javier Milei, apresenta um paradoxo econômico notável. Dados recentes do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) indicam uma redução significativa no número de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza, que recuou para 8,5 milhões de pessoas no segundo semestre de 2025, afetando 28,2% da população. Este dado, embora superficialmente positivo, contrasta com um cenário macroeconômico ainda em transição, marcado por um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) que, embora real, mostra-se concentrado em poucos setores, enquanto o consumo interno permanece anêmico e a taxa de desemprego atinge seu maior patamar desde a pandemia de Covid-19.
O recuo da pobreza em 3,4 pontos percentuais em relação ao primeiro semestre do mesmo ano, tirando cerca de 6 milhões de pessoas dessa condição, sugere uma reacomodação em um período de forte ajuste fiscal. Contudo, a explicação para essa melhora social em um contexto de fragilidade do mercado de trabalho e baixo poder de compra exige uma análise mais aprofundada, desafiando a interpretação simplista dos números e convidando a reflexão sobre a sustentabilidade e a abrangência da recuperação.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- A Argentina historicamente oscila entre períodos de instabilidade econômica e tentativas de ajuste, culminando na profunda crise que antecedeu a eleição de Javier Milei.
- O 'Plano Motosserra' de Milei implementou um choque fiscal radical, cortando subsídios, congelando obras federais e promovendo um superávit público inédito desde 2008, mas com custos sociais imediatos.
- O PIB argentino cresceu 4,4% em 2025, a primeira alta desde 2022. No entanto, o avanço se deu em setores como energia e mineração, sem uma distribuição equitativa do dinamismo pela economia, o que mantém o consumo enfraquecido e o desemprego elevado.