A Inflação Argentina Acelera: O Retorno aos 3,4% e os Desafios de Milei
A alta dos preços em março reacende o debate sobre a sustentabilidade do ajuste econômico e os próximos passos do governo Milei para controlar a instabilidade.
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A economia argentina enfrenta um novo e significativo desafio com a aceleração da inflação mensal, que atingiu 3,4% em março, conforme divulgado pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec). Esse patamar representa o maior índice em um ano e contrasta com a leve desaceleração do acumulado em doze meses, que ficou em 32,6%.
A alta dos preços é impulsionada por setores cruciais para o dia a dia da população, como educação (12,1%), transporte (4,1%) e habitação, água e eletricidade (3,7%), além de recreação e cultura, restaurantes e hotéis, e alimentos e bebidas não alcoólicas, todos com elevações notáveis. Este cenário complexo surge após um período em que os índices mensais pareciam estabilizar-se entre 2% e 3% em 2025, após uma forte melhora em 2024, desafiando a narrativa de uma recuperação consistente sob o governo Javier Milei.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- A Argentina está sob um programa de ajuste fiscal radical liderado por Javier Milei, que inclui severos cortes de subsídios e paralisação de obras, impactando diretamente o custo de vida e os preços ao consumidor.
- Após meses de desaceleração, a inflação mensal havia se mantido entre 2% e 3% em 2025, indicando uma melhora gradual que agora mostra sinais de reversão, especialmente a partir de maio do ano anterior.
- O governo Milei obteve apoio financeiro substancial, incluindo US$40 bilhões em acordos de swap cambial com os Estados Unidos e US$20 bilhões em empréstimos do FMI, essenciais para tentar estabilizar o câmbio e as reservas monetárias e, assim, conter a inflação.