Garimpo na Terra Yanomami: Redução Aparente Esconde Nova Tática e Riscos Persistentes
Relatório revela que, apesar da queda na área degradada em 2025, a exploração ilegal se pulveriza e migra para fronteiras, desafiando a fiscalização e a proteção territorial.
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A recente análise do Instituto Socioambiental (ISA) revelou uma dualidade preocupante na Terra Indígena Yanomami: embora a área diretamente degradada pelo garimpo ilegal em 2025 tenha registrado uma queda de 46% em comparação a 2024, totalizando 45,2 hectares, a atividade ilícita não arrefeceu. Pelo contrário, adotou uma nova e insidiosa estratégia. Garimpeiros estão agora operando em pontos menores e dispersos, buscando escapar da fiscalização federal intensificada. Essa mudança tática reflete uma adaptação dos invasores, que, ao invés de grandes concentrações, pulverizam a exploração em mais de uma centena de pequenos sítios, muitos com menos de um hectare.
A soma histórica de destruição já alcança 5.564 hectares, evidenciando a persistência de um problema estrutural que desafia as operações governamentais. A migração para zonas de fronteira com a Venezuela e o uso de rotas fluviais e aéreas clandestinas demonstram a resiliência e a complexidade do combate a essa chaga ambiental e social na maior terra indígena do Brasil.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- O garimpo ilegal atua na Terra Yanomami desde, ao menos, a década de 1970, com uma escalada notável nos últimos anos, atingindo o pico de expansão em 2022.
- Entre 2020 e 2025, 3.659,15 hectares foram destruídos, somando-se a um total histórico de 5.564 hectares. A queda de 46% na degradação em 2025 reflete ações governamentais após o decreto de emergência em saúde em 2023.
- A migração dos garimpeiros para áreas próximas à fronteira com a Venezuela, como Parafuri-Parima, Hokomawë e Cabeceira do Aracaçá, cria um desafio geopolítico e intensifica a pressão sobre ecossistemas remotos.