Cuca na Borda do Campo: Santos Revela Urgência por Construtor de Jogo em Estreia Tática
O empate sem gols contra o Cruzeiro, que tirou o Peixe da zona de rebaixamento, expôs a lacuna criativa no meio-campo e impõe um desafio imediato ao novo comando técnico.
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A estreia de Cuca no comando técnico do Santos, neste domingo, trouxe à tona uma realidade incômoda para o torcedor santista: a ausência de um articulador nato no setor de criação. O 0 a 0 diante do Cruzeiro, no Mineirão, pela oitava rodada do Campeonato Brasileiro, não apenas moveu o Peixe para fora da zona de rebaixamento, mas também serviu como um diagnóstico tático preciso, evidenciando que a solidez defensiva encontrada sob a nova batuta ainda não se traduz em efetividade ofensiva.
Com as ausências de Gabigol e, crucialmente, de Neymar, que vinha desempenhando o papel de construtor de jogo sob o comando anterior, a equipe santista demonstrou uma clara dificuldade em converter a posse de bola em oportunidades reais. A aposta em transições rápidas pelos lados do campo, com Rony e Moisés inicialmente no ataque, revelou-se insuficiente. O time pecava nos passes progressivos, era excessivamente previsível e não conseguia gerar lances de perigo dentro da área adversária, tendo apenas um chute a gol, com Rollheiser, já nos acréscimos do segundo tempo.
Apesar da substituição estratégica de Moisés por Thaciano na segunda etapa, que trouxe um breve ímpeto ofensivo, o Santos continuou a sofrer com a falta de um elo entre a defesa e o ataque. O próprio Cuca, ao final da partida, reconheceu o "nervosismo" e a "falta de tranquilidade" nas saídas de jogo, que culminavam em erros e risco desnecessário. Por outro lado, a organização defensiva se destacou, com boas atuações de Gabriel Brazão e Lucas Veríssimo, que anularam as poucas investidas cruzeirenses, garantindo o ponto valioso que era necessário para afastar o fantasma do Z4.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- O Santos, historicamente celeiro de craques e conhecido por seu futebol ofensivo e de arte, sempre dependeu da genialidade de seus meias e atacantes, como Pelé, Ganso e Neymar, para construir suas jogadas e ditar o ritmo.
- Apesar de sair da zona de rebaixamento, o Santos registrou apenas um chute a gol e nenhum de dentro da área contra o Cruzeiro, evidenciando uma das piores marcas ofensivas do Campeonato Brasileiro nas últimas rodadas.
- A necessidade de um "camisa 10" ou um articulador central tem sido uma discussão constante no futebol brasileiro nos últimos anos, e a ausência de Neymar ressaltou a urgência dessa carência tática no elenco santista atual.