Paradoxo de Clausewitz: Vitórias Táticas Sem Ganho Político na Guerra Irã-EUA-Israel
A recente ofensiva militar no Irã expõe a dura realidade de que a força bélica nem sempre garante a vitória política, com consequências duradouras para a geopolítica global.
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A "Operação Leão Rugidor", liderada por Israel, e a "Operação Fúria Épica", pelos Estados Unidos, em 28 de fevereiro de 2026, marcaram uma intervenção militar decisiva contra o Irã. O ataque conjunto resultou na eliminação de figuras-chave do regime, incluindo o aiatolá Ali Khamenei, e na destruição de infraestruturas estratégicas e nucleares, como as de Fordow, Natanz e Isfahan. Taticamente, a coalizão demonstrou superioridade avassaladora, obtendo objetivos claros no campo de batalha.
No entanto, conforme a análise do filósofo prussiano Carl von Clausewitz, a guerra é a "continuação da política por outros meios", e uma vitória militar só é completa quando os objetivos políticos são alcançados. Os EUA buscavam desnuclearização permanente, desmantelamento do programa de mísseis e o corte de apoio a grupos regionais. Israel almejava a mudança de regime e a eliminação de ameaças existenciais. O memorando de entendimento subsequente, porém, deixou os temas nucleares e de financiamento de proxies para futuras discussões, oferecendo alívio econômico ao regime iraniano e mantendo seu programa de mísseis.
A desconexão entre o sucesso tático e a falha em concretizar os objetivos políticos culmina no que Clausewitz chamaria de paradoxo: o Irã, militarmente derrotado com perdas significativas na Marinha e Força Aérea e a cúpula de seu governo desarticulada, emerge politicamente resiliente. O regime não colapsou, seu programa de mísseis permaneceu intocado e o apoio aos proxies regionais, como o Hezbollah, foi mantido, inclusive com a exigência de cessação das hostilidades. A guerra, como instrumento político, parece ter funcionado mais eficazmente para o militarmente enfraquecido do que para os vencedores táticos.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- A doutrina de Carl von Clausewitz, que define a guerra como "a continuação da política por outros meios", guia a análise.
- O histórico de tensões entre Irã, Estados Unidos e Israel, marcado por disputas nucleares e apoio a grupos regionais, culminou nesta ofensiva.
- A instabilidade energética global foi agravada pelo fechamento do Estreito de Ormuz, principal rota de escoamento de petróleo, um evento recorrente em conflitos na região.