Acre: Milhões Destinados à Segurança de Mulheres Permanecem Intocados em Cenário de Feminicídios Recordes
Enquanto o estado do Acre registra a maior taxa proporcional de feminicídios do país, a inércia na aplicação de recursos federais levanta questões críticas sobre a priorização da vida feminina e a eficácia das políticas públicas.
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Um levantamento recente da Controladoria-Geral da União (CGU) trouxe à luz um dado alarmante que desafia a compreensão e a urgência social: o estado do Acre, entre 2023 e 2025, utilizou menos de 20% dos R$ 12 milhões em recursos federais destinados especificamente ao combate à violência contra a mulher. Apenas R$ 2,4 milhões foram efetivamente aplicados, enquanto a realidade local aponta para uma escalada preocupante de crimes de gênero. Este cenário de inoperância orçamentária se desenrola em um contexto no qual o Acre ostenta, em 2025, a mais alta taxa proporcional de feminicídios no Brasil, com 1,58 casos por 100 mil habitantes, um aumento de 75% em relação ao ano anterior.
A discrepância entre os fundos disponíveis e sua execução levanta sérias dúvidas sobre a capacidade e o compromisso em proteger as mulheres acreanas. Enquanto a burocracia estatal alega que parte dos valores está 'empenhada' ou 'aprovisionada' – ou seja, reservada, mas não gasta –, a vida real das cidadãs se deteriora sob a ameaça constante da violência. O que se percebe, na prática, é um abismo entre o ideal das políticas públicas e a sua materialização, resultando em uma profunda sensação de desamparo e vulnerabilidade na população feminina.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- Em 2025, o Acre registrou 14 feminicídios, alcançando o pico da série histórica dos últimos dez anos, um cenário que havia sido observado em 2016 e 2018.
- Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública indicam que o Acre lidera o ranking nacional em taxa proporcional de feminicídios, com 1,58 casos por 100 mil habitantes, contrastando com o aumento de 75% dos casos de 2024 para 2025.
- A ineficácia na execução de verbas federais para a proteção de mulheres ocorre simultaneamente à promulgação de uma nova lei federal que endurece as penas para o crime de feminicídio, sublinhando a tensão entre a legislação avançada e a paralisia administrativa.