El Salvador: O Paradoxo da Segurança Extrema sob Bukele e Seus Custos Ocultos
A surpreendente guinada de segurança em El Salvador vem acompanhada de sérias denúncias de autoritarismo e um preocupante aumento da pobreza extrema, configurando um dilema global.
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Em El Salvador, a vida de Adélia Rosales na Campanera, antes um dos bairros mais perigosos do mundo, exemplifica uma transformação radical: o fim do domínio das facções criminosas. Contudo, essa aparente vitória da segurança ostenta um paradoxo latente: o regime de exceção imposto pelo presidente Nayib Bukele, responsável por tamanha guinada, é também o epicentro de crescentes críticas sobre autoritarismo e violações de direitos humanos.
Desde 2022, a permissão para prisões sem mandado e a detenção de cerca de 90 mil pessoas sem devido processo legal transformaram o país no de maior índice de encarceramento global. Enquanto os homicídios despencaram dramaticamente para índices invejáveis (1,3 por 100 mil habitantes em 2025 contra 103 em 2015), a pobreza extrema, segundo o Banco Mundial, quase dobrou entre 2019 e 2023, passando de 4,3% para 8,8%. A narrativa de segurança pública, celebrada por muitos e alavancada pela popularidade de Bukele e seu controle quase absoluto sobre o legislativo e judiciário, esconde a erosão das liberdades civis e uma fragilidade econômica persistente que afeta as camadas mais vulneráveis da população, como visto nos contrastes da revitalizada San Salvador, onde a "maquiagem" urbanística não resolve a escassez de empregos.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- El Salvador, em 2015, registrou a maior taxa de homicídios do mundo (103 por 100 mil habitantes), mergulhado em uma guerra entre as facções Barrio 18 e Mara Salvatrucha.
- Sob o regime de exceção de Bukele, os homicídios caíram para 1,3 por 100 mil habitantes em 2025, mas o país atingiu o maior índice de encarceramento global, com 1.659 presos a cada 100 mil habitantes, e a pobreza extrema subiu de 4,3% para 8,8% entre 2019 e 2023.
- O 'modelo Bukele' de segurança e concentração de poder serve de inspiração e ponto de debate para líderes políticos em diversas nações latino-americanas, incluindo o Brasil, que buscam soluções drásticas para o crime organizado, repercutindo a discussão sobre direitos humanos e democracia globalmente.