O Retrocesso Silencioso das Passarelas e a Nova Era da Pressão Estética Global
A escassez de modelos plus-size nas últimas coleções de moda sinaliza um alarmante retorno a padrões de beleza restritivos, intensificado pela proliferação de medicamentos para perda de peso.
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As últimas coleções de Outono-Inverno 2023, exibidas nas capitais da moda como Nova York, Londres, Milão e Paris, revelaram uma tendência preocupante que transcende babados e casacos sob medida: a drástica diminuição de modelos plus-size nas passarelas. Este retrocesso ocorre em um momento singular, com a crescente popularidade de medicamentos injetáveis para perda de peso, como o Ozempic e o Wegovy, que prometem resultados rápidos e intensificam a conversa global sobre a "busca pelo corpo ideal".
Analistas da indústria e defensores da diversidade expressam profunda frustração, vendo nesta reversão um abandono do progresso, ainda que limitado, alcançado em temporadas anteriores. A aparente "solução milagrosa" para o emagrecimento, agora a apenas uma receita de distância, parece impulsionar a moda de luxo a revisitar ideais de magreza extrema, ignorando a rica diversidade dos corpos e o perfil da maioria das consumidoras globais.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- Em 2020 e 2021, marcas de prestígio como Fendi, Erdem e Valentino fizeram manchetes ao incluir modelos plus-size em seus desfiles, sinalizando um avanço na inclusão.
- Dados da Tagwalk indicam uma queda de 24% no número de modelos mid e plus-size nas passarelas de Outono-Inverno 2023. A Vogue Business reporta que 95,6% dos looks apresentados se enquadravam no tamanho US 0-4, enquanto 68% das mulheres americanas vestem US 14 ou mais.
- A disseminação global de medicamentos como Ozempic e Wegovy, inicialmente para diabetes e obesidade, está redefinindo a percepção de "controle" sobre o peso e intensificando a pressão estética em escala mundial, com a indústria da moda reagindo a este novo cenário farmacológico-social.